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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Impossibilidades do amor.


Quando você desiste, você não desiste do amor, você desiste da impossibilidade.

Começa a não dar certo, e você pensa que vai sofrer pra caralho, aí você vai lá e desiste. Ou dá certo com um e não dá certo com outro aí você pensa que vai sofrer pra caralho, aí você vai lá e desiste. Você não desiste do amor. Amor é algo que te faz bem.

Às vezes a gente vive de impossibilidades, histórias complicadass, porque talvez não estejamos com vontade de viver de verdade, ou talvez a gente enlouqueça aquele poquinho necessário pra fazer alguma coisa impossível virar possível. Porque eu acho que quando estamos verdadeiramente envolvidos a gente faz ficar possivel, a gente faz ficar de verdade, a gente faz ficar menos irreal, ou qualquer coisa.

Quando você hesita, você não hesita porque você tem medo, você hesita porque você não tem certeza.

E nessa cabeça de aquariano maluco eu penso que quando é de verdade você tem certeza, e se você não tem certeza ainda, talvez não seja aquela história, porque quando for... Será pra arrebatar, arrancar o fôlego, tirar o chão.

Então às vezes a gente só quer acreditar. E se isso vai nos levar em algum lugar?! Sei lá.
Mas se for te fazer feliz enquanto estiver indo, poxa, não é isso que é viver não?
O menor e o melhor sentido da vida é ser feliz, é correr riscos.

Portanto...

Ouvindo: Old Friend - Angus e Julia Stone AQUI.
(Tentei linkar a música no post, mas não deu)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

SACADA



- Te achei.
- Eu sabia.
- Sabia o quê?
- Que iria me achar.
- Sou tão previsível assim?
- Não.
- Então por quê achou?
- Porque eu acho que ainda acredito.
- Acredita em quê?
- Nas pessoas.

Ela levou a taça de vinho na boca e deu o primeiro gole. Ele enfiou as mãos no bolso e procurou por algo, em seguida arrancou um maço de cigarro. Tirou um, acendeu, e tragou. A luz do ambiente era pouca, mas mesmo assim reluzia os olhos verdeados dele. A brisa soprava os cabelos da moça desarrumando-os e os jogando frente ao seu rosto.

- Isso vai te matar.
- O cigarro? - Perguntou ele tragando mais uma vez.
- Sim.
- Relaxa moça. Não morri nem de amor, quem dirá de cigarro.
- Já amou alguém?
- Já. Umas duas vezes.
- E eu achando que só se amava uma.
- Não. As pessoas amam uma, amam duas, até três.
- Vezes?
- Vezes, e pessoas. E você, já amou alguém?
- Já. Um homem qualquer. Ele me fez acreditar que eu era especial, mas eu acho que a ex namorada continuou sendo mais especial que eu, o final você pode adivinhar, eu deixo.
- Te traiu?
- Sim.
- E o que ele disse?
- Que passava os finais de semana com a mãe.

Os dois estavam numa sacada de um bar de uma cidade grande qualquer desse mundo. Ela olhava o trânsito lá embaixo e ele acompanhava as estrelas. Ela se preocupava com a luz do ambiente, e ele se preocupava em arrumar as mechas rebeldes de seus cabelos que caiam sobre seu rosto.

- Preciso ir. - Disse ela.
- Mas já?
- Sim. Está ficando tarde.
- Mas são apenas onze da noite.
- Ele está me esperando.
- Quem?
- O cara que eu amo.
- Mas...
- Mas?
- Achei que você não tinha ninguém. Ele te traiu.
- Sim.
- Por que ainda está com ele?
- Você, assim como eu, sabe que a gente não escolhe.
- O que não se escolhe?
- Quem se ama. A gente não escolhe.
- Pode ser por medo.
- Medo de?
- De viver. De se redescobrir. Redescibrir novas vontades, novos sorrisos, novas fragrâncias. Já tentou?
- Eu gosto da forma como eu me sinto ao lado dele. Não me importo que ele me traia, eu só quero ter a certeza de que no final do dia ele estará em casa.
- Mas e se um dia ele não voltar?
- Eu vou continuar esperando.
- Esperando por nada?
- A gente sempre espera por algo.

Os dois ficaram mudos. Ela tomou o último gole da taça de vinho. Se afastou da sacada, olhou o garoto que estava ao seu lado. Camisa preta de rock, calça jeans caída, e cueca preta de elastano aparecendo. Ela vestia um vestido de griffe e usava brincos de prata, seu saltos eram os mais caros, e a taça na qual bebia era de cristal, enquanto ele fumava um cigarro de baile e tomava cerveja em um copo descartável. O garoto manteve o olhar fixo no céu como quem buscava alguma coisa, alguma estrela cadente para realizar um pedido.

- Te vejo por aí. - Disse ele.
- A gente se esbarra. - Se despediu ela.

A garota pegou a sua comanda, foi até ao caixa e passou com um cartão de crédito cinco estrelas. Passou a mão nos cabelos e jogou-os para trás, olhou para o relógio em cima da porta, pegou a nota e agradeceu ao menino do caixa. O relógio apontava onze e dez, ela certamente estaria atrasada. O garoto da sacada olhou para a porta de saída até que a perdesse de vista no vão da escada. Abaixou a cabeça e deu o último trago no cigarro, segurou-o pela ponta e o soltou ao ar livre de onde estava. Encheu mais uma vez o copo de plástico de cerveja, e cruzou os braços sobre a sacada do bar. Seu olhar era de um cara que não se preocupava com nada, apenas com o que seria da vida dele no amanhã, e imaginava a garota que já tinha uma vida toda planejada. Ele era exatamente um nada.

- Eii... Me dá um cigarro. - Voltou a garota.

Ele estendeu o maço e a garota retirou um, acendeu e tragou.

- Isso vai te matar.
- Não morri nem de amor, quem dirá de cigarro.
- Está atrasada.
- Cansei.
- De quê?
- De continuar voltando pra casa, e esperar.



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