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domingo, 11 de março de 2012

Dad (09/03/2012)



Morte; a gente sempre acha que nunca vai acontecer com a gente, com a nossa família, aí vai e acontece. É como pimenta nos olhos dos outros que nos parece refresco. Dizemos entender a dor da família, para confortar, mas na verdade a gente só entende realmente mesmo depois que passa por uma situação assim. Quando acontece por um minuto ninguém fala, ninguém se move, ninguém sabe o que aconteceu, ninguém sabe o que fazer. Até que vem o depois!

"Reinaldo, já são oito horas."
"Já vaai!!!"

"Reinaldo,  vem aqui, deixa eu conversar com você"
"Ai que saco."

"Reinaldo, uma hora é lá, não é dentro de casa não."
"Tá boooooooooooom, eu posso escovar os dentes?"

"Reinaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaldo"
"QUÊ QUE FOI, PAAAAI?"


Ele sempre tendo tanto a me ensinar, e eu como um jovem qualquer sem paciência para sentar e aprender. Ele com todo o seu jeito rude de me chamar atenção e puxar a orelha queria apenas me mostrar o mundo e suas armadilhas, e eu com a minha ignorância preferia ser cego. Ele me moldava para me pendurar na parede para se orgulhar, feito um diploma, e eu todo rebelde desmanchava todas as expectativas que aos meus olhos eram tortas. Andávamos sempre em caminhos opostos, eu ia pra direita enquanto ele ia para esquerda e tentava me puxar e me convencer que aquele caminho era o certo. Ele chutava todos os espinhos e me protegia em seus braços das maldades alheias e me convencia de que nesse mundo há muita gente ruim, egoísta e sobretudo ambiciosa. E eu com o meu jeito cego e às vezes torto de ser bufava e sussurrava: Você está blefando. Não é blefe, são apenas verdades e experiências de um homem vivido que queria proteger o seu filho.

Suas recaídas vieram aos poucos, era como se ele se desconectasse de nós por parcelas. Cada dia era mais uma nova perda, cada dia era uma nova esperança de que saíria bem dessa. E saiu, mais uma vez, porém pra melhor. Ahhh paai, se eu pudesse lhe falar de tudo, eu falaria com certeza do quanto eu aprendi, mesmo que do meu jeito, eu sempre supri o que com paciência o senhor me ensinava. Te amei, ainda amo, e será um amor eterno, do meu jeito mas amei. É como se eu perdesse todos meus amores, só que mais intenso, perdi o homem que me deu a vida, e me deu de bandeja as coisas e oportunidades que eu tenho hoje, e se hoje escrevo, e faço TUDO que eu faço neste exato momento, agradeço ao senhor.  Obrigado por tudo, pai, sobretudo por ter me tornado o que sou hoje.

O que fica agora são as lembranças, as boas, as ruins - aquelas que se tornam engraçadas.
E o que fica em mim se torna cada vez mais vivo e gritante a cada segundo que se passa.

Descanse em paz, meu pai, meu herói.
éer...

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