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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Por 72 horas



Este texto vai em especial para dois amigos. Dois amigos, que hoje vieram com o mesmo assunto ao falar comigo. Ex namorados, ex amores, pós relacionamento. Ou nem tanto. Não vou citar nomes, mas vocês saberão quando lerem, ou você saberá que é pra você também quando ler e se identificar com a situação que por mais que você tente, acontece com você no momento mais improvável.

Um me reclama de um “namorico” que aconteceu com o espaço temporal de duas semanas, ou três, não me recordo. O outro me choraminga um relacionamento que terminou em Abril e virou amizade. Dois casos completamente diferentes, um achou que era amor, mas amor não acontece em quinze dias. E o outro é amor (ou também não), pois só isso é capaz de nos prender a uma pessoa por tanto tempo (tendo em vista que estamos em Setembro).

Eu me pergunto quando é que acontece isso. Quando é que acontece de nos prendermos ao passado tanto o suficiente para ficar remoendo uma coisa que se passou? Ao ponto de não nos libertarmos e nos darmos o direito de tentar algo novo. A vida é feita de mudanças, todo mundo deveria saber que nada é pra sempre, todo mundo deveria curtir cada momento, e viver intensamente o mesmo, pois amanhã isso pode nem existir. O amanhã é uma dádiva, o amanhã é um mistério, é futuro, um futuro que tá sempre presente.

A gente se pega por vários momentos se perguntando o que acontecerá amanhã. Será que ele vai me amar? Será que ele vai ficar comigo? Quanto tempo será que ficaremos juntos? Quando ele vai me dizer “eu te amo”? Quando vou conseguir aquilo? Quando vou conseguir isso? Contudo, acho que criamos expectativas nesse misto de imaginação e acabamos fantasiando algo que pode nem acontecer. Com todas essas perguntas, a gente começa a esperar por algo que pode chegar a nem vir.

Por que se prender ao passado? Por que se prender a uma pessoa que te deixou? Por quê? É algo que te faz mal, te faz sofrer, te machuca internamente, faz você ficar aflito. Não teria de ser simples, não teria de ser apenas descartável? Mas não, nem sempre o coração às vezes é. A gente se machuca, chora, procura, quebra a cara, e depois repete tudo de novo com a mesma intensidade ou não.

A vida é tão bela, e às vezes tão brutal, cada dia é uma luta, uma jornada. A gente nunca sabe o que nos espera ao final. Com quem deitaremos, em quem pensaremos, ou por quem rezaremos. É esse mistério que torna o viver interessante, tanta coisa legal, tanta coisa para desvendar, tanta gente para se encontrar, tantos amigos, tantas recordações, que a gente se perde. A gente se prende logo em algo que nos machuca. É alguma realização pessoal sofrer por amor? Se for, por favor me diga. Pois só mesmo um masoquista para gostar de um tremendo narcisista.

Eu tenho uma maneira maluca de gostar e desgostar. Quando gosto, eu sou intenso, gosto muito, sinto muita falta, amo de verdade. Mas quando vejo que estou sofrendo, ou posso vir a sofrer, eu piso no freio, recuo, dou ré, paro o movimento. É uma freada bruta que faz a gente voar, caso não estejamos de cinto de segurança. E eu na maioria das vezes sempre estou.

 Apago os contatos, apago qualquer vestígio que me leve à pessoa, me permito à coisas novas, crio coisas novas, para não lembrar, encho minha cabeça de amigos, saídas, bebidas. Isso tudo para não pensar na falta. Eu gostaria que as pessoas fossem assim, sabe? Quem dirá que vale a pena sofrer por amor? Chorar por amor? Se prender por amor?

É bom amar, entrar todos os dias no perfil daquela pessoa e ver o que ela postou, com quem ela saiu, ligar, dar bom dia, sei lá, se fazer presente. É bom, mas é tão melhor, é tão “MAIS BÃO” amar a gente. Amar a si. Eu nunca levei a sério, para ser bem franco, aquela história de cuidar do jardim para que as borboletas venham. Mas com o passar do tempo a gente vê que é verdade. Não adianta fazer sinal de fogo no céu para que elas te encontrem, não adianta rezar para que aconteça, não adianta fazer aquele ritual mais macabro com a mesma finalidade Quando a gente menos espera encontra aquele olhar no meio da multidão. Aquele olhar perdido que de alguma forma, dentre tantos olhares, te encontra também. E você reconhece.

A gente sempre sabe quando é pra ser, e quando não é pra ser. Não venham me dizer que não. A gente sabe quando vale a pena colocar intensidade, ou não. Então será que não vale a pena ser racional nessas situações, ou pelo menos tentar? Aí a pessoa vira e te diz: Mas não dá, eu não consigo esquecê-lo, sinto falta dele, tô mau, tô isso, tô aquilo. Dentre vários outras frases prontas. (risos)

A gente tem um filtro. Sabia? A gente só não sabe usar, ou só usa para o que não serve. Você não filtra aquilo que te faz mal no dia a dia? Você não filtra as amizades ruins, os lugares ruins? Então, tem que aprender a filtrar pessoas no coração também. Tipo, tá te machucando, tá te fazendo mau, tá te fazendo chorar, deleta. Move on.

Mova-se da cadeira, tente, abrace o mundo, cuide de você. Voltando à frase do “cuidando do jardim...” cuide do seu. Faça as borboletas pousarem em você, e quando acontecer, vá com tranquilidade, não as espante, e tenha em mente: Borboletas têm asas, borboletas voam, voltam, pousam em outros lugares, já pousaram, irão pousar. Você é o presente. Você é o agora. É o que está acontecendo naquele momento. Então intensifique, mas tenha em mente que borboletas vivem somente Setenta e duas horas.
Ou é pelo menos o que dizem por aí...

Então é isso. Encontre a sua borboleta, cuide do seu jardim, e intensifique esse pouso nem que seja por 72 horas. E lembre-se: Elas ainda não estão extintas.

Portanto...

Um comentário:

  1. Gostei do seu texto.
    Todos temos a mania chata de olhar para o passado e querer voltar seja por qualquer motivo. Ainda mais quanto se tem um amor no meio...

    Visita lá ;)
    http://celtasim-h.blogspot.com.br/

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