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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

SCARLET por Luan G. Araújo


Luan Gabriel Araújo; 18 anos.
Rio De Janeiro - RJ
Estudante de Cinema.
Leitor assíduo, um grande escritor e amante de ficção.







É surpreendente você poder reconhecer traços tão marcantes de sua vida em palavras escritas por alguém que não faz ideia de que você sequer existe. É assombroso como personagens, meros esboços de palavras, podem ser tão semelhantes a pessoas de verdade, significantes, de carne e osso. É confortante poder se identificar com alguém, ainda que não seja real, e poder dizer “Eu te entendo”


Essa é a magia de Scarlet. Não é apenas uma história contada, é uma história vivida. Não é uma narrativa a qual você assiste de fora. Você mergulha, imerge. Não. Se afoga. Essa é a sensação de ler Scarlet. De estar se afogando, se fundindo à história.


Oscar vive. Nas páginas dessa fabulosa obra, sim, mas além disso. Oscar vive em nós. Oscar é o retrato dos nossos anseios, dos nossos desejos. Oscar é aquilo que ansiamos por ser e por deixar de ser. Ele nos reflete, com tamanha intensidade que parece que estamos nos olhando no espelho.
E o fio narrativo é estupendo, tal como a própria vida. No decorrer de suas páginas, Scarlet consegue nos levar do ápice da alegria ao mais profundo poço de tristeza. É uma ficção real. Os seus personagens nos atingem de uma maneira que nos deixa desnorteados. Você se sente coagido a tomar um partido, a torcer por alguém. E se torna impossível julgar as atitudes dos personagens, afinal de contas, você não faria o mesmo?



Com Scarlet ou Oscar, o autor consegue chegar ao íntimo do leitor sem dificuldade. Os questionamentos sobre o certo e o errado, a verdade e a mentira, a vingança e a justiça surgem em nossos pensamentos ates que possamos perceber, fazendo com que os dilemas da história se estendam muito após o fim do livro. A vontade de ter a mesma coragem, a mesma atitude ou simplesmente o mesmo namorado toma conta de nós, e por mais de uma vez nos sentimos tentados a ser parte integrante do mundo de Scarlet. O que, de certa forma, somos. Ainda que um pouco, mas somos.



Não gosto da definição e nem de livro de auto-ajuda, mas Scarlet consegue assumir esse cargo, ainda que indiretamente. Saber que existe alguém com problemas tão sólidos, tão reais, tão próximos é tão, mas tão ROXO! Sim, é libertador! Desconte em Oscar as suas mágoas, deixe que ele te domine com seus problemas, esqueça da sua vida por algumas horas. Ou se preferir reflita sobre ela! O livro consegue assumir esses dois papéis. Absorva de fato os questionamentos levantados sobre a hipocrisia, a frustração, a volta por cima. Use Scarlet para subir no salto, como a própria o fez. Afinal, “para renascer, é preciso morrer. Mesmo que de vez em quando.”



Independente de sua orientação sexual, Scarlet é uma trama que nos traz reflexões profundas sobre a vida, a sociedade e o mundo. Com o uso de uma linguagem fluida e próxima do leitor, o livro nos proporciona momentos magníficos de ódio e prazer. É um livro pra se ter a qualquer momento. É, por mim, mais do que recomendado. É necessário.






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