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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Resenha: Todo Dia - David Levithan



A Capa é um tanto curiosa. Um garoto flutuando entre nuvens e uma menina sobrevoando acima delas aparentemente feliz. Todo dia. Ao ver este livro nas prateleiras de uma livraria me senti indagado e obrigado a folhear, logo na primeira página já me deparo com a narrativa do autor “...Acordo. Imediatamente preciso descobrir quem sou. Não se trata do corpo, de abrir os olhos e ver se a pele é clara ou escura, se o cabelo é comprido ou curto, se sou gordo ou magro, se sou garoto ou garota. O corpo é a coisa mais fácil a qual se adaptar quando se acorda em um corpo novo todas as manhãs.”. Este trecho me despertou uma certa curiosidade, ao prosseguir pelos capítulos vi que realmente a voz (personagem principal) acordava em vidas diferentes todos os dias. Me senti no direito de leva-lo pra casa, até mesmo para descobrir até onde iria a criatividade do autor ao ponto de escrever 300 páginas e conseguir prender leitores no desenrolar da trama por capítulos curtos onde nos quais são histórias novas com personagens diferentes. Não me arrependi.

Posso dizer, munido de coragem, que este livro é no mínimo reflexivo. Nos faz pensar. Nos faz refletir sobre nossos problemas e nossa vida. Nossos amores. Família. Amigos. O personagem central tem voz masculina e é identificado por “A”, ele acorda todos os dias em corpos diferentes desde que nasceu, independente do sexo, ele se vê em corpo de meninas e meninos na casa dos 16 anos de idade, gordo, gorda, negro, doente, drogados, problemáticos, depressivos, malvados, psicopatas, transgeneros, gays, lésbicas, etc.

Logo no primeiro capítulo nos deparamos com a história de Justin, um garoto completamente babaca e egoísta no qual ele habita por 24h. Justin tem uma vidinha medíocre e uma namorada super fofa, Rhianom. A qual ele não dá valor. Durante o tempo (dia) em que "A" vive no corpo de Justin, ele tenta fazer com que a garota se sinta especial, fazendo todas as coisas contrárias que Justin faria. Como se esperado, "A" se apaixona por Rhianom, por simplesmente conseguir ver o interior dela e perceber nos detalhes a grande namorada que ela é para Justin. Justin, por sua vez, se torna um namorado atencioso, carinhoso, exemplar (por 24 horas). O que desperta uma certa desconfiança em Rhianom. Justin nunca foi assim. Por que está assim hoje? Por que está faltando às aulas para levá-la a praia? Por que está recusando o sexo animal e preferindo carinhos e beijos apaixonados? A noite vem, e Justin deixa Rhianom em casa. Ela faz planos para amanhã e Justin (Ou A) simplesmente diz que amanhã seria um outro dia. Sabendo que, não teria controle sobre o corpo de Justin no dia seguinte. O que acontece.

Os dias passam e após inúmeras tentativas de se reencontrar com Rhianom nos dias posteriores (em corpos diferentes) ele acaba se envolvendo ainda mais com ela e contando toda a verdade criando assim um laço de cumplicidade e amizade, o que envolve Nathan, um garoto que acordou dentro de seu carro num acostamento numa estrada no meio do nada, em pânico.

Dentre todas essas vidas dispersas em capitulos curtos e diferentes, nos deparamos com vários personagens maravilhosos que marcam os leitores e a vida de "A" de uma certa forma. Temos a garota que é a irmã cumplice do irmão drogado. Um garoto brasileiro gay que está prestes a terminar com o namorado. Uma menina depressiva prestes a se suicidar. Um nerd. Uma garota popular do colégio em estilo "mean girl". Uma garota extremamente linda e atraente. Um garoto extremamente lindo e atrante. Um garoto nada lindo tampouco atraente. Atletas. Obesos. Negros. Ricos. Pobres. Satisfeitos. Famintos. Acidentados. Alejados.

Vale ressaltar que cada personagem tem a sua história e seu drama, e "A" mesmo sabendo o que poderia fazer para ajudar essas pessoas, ele tenta não interferir, não fazer nada, justamente pelo fato de que a vida não é dele. E seria egoísmo de sua parte ele tomar alguma decisão por conta própria que traria consequências no dia seguinte, por talvez, a vida toda. Nós, como leitores, nos pegamos aflitos em algumas partes roendo as unhas nos questionando se ele fará algo ou não. Mas é preciso ter um bom senso para entender as decisões do personagem.

O livro é difícil de prender a sua atenção até a página 100, depois que passa, você simplesmente não consegue deixar de lê-lo. É uma leitura gostosa e rápida, e eu super aconselho justamente por me arrancar risos e lágrimas em algumas histórias. Ele nos faz torcer pelos personagens e por suas vidas, mesmo que somente por um capitulo, ou 24 horas. Mas a companhia e os encontros de Rhianom com "A" nos faz não querer abandonar a leitura.

Li algumas resenhas pela internet e a maioria diz não ter gostado do desfecho dado pelo autor. Eu, pelo contrário, super achei justo e válido. Até porque não teria como dar um final diferente para a história. Achei lindo, fofo, tocante e emocionante. Conseguiu me arrancar lágrimas e dizer em voz alta "NÃO".

Obrigado David Levithan, por abrir nossa mente e quebrar todos nossos pré conceitos nos colocando na perspectiva de vida de pessoas nas quais nós repudiamos e julgamos por, nem que seja, alguns minutos ou segundos de nossa existência. Obrigado por nos mostrar que olhando com mais carinho uns para os outros a vida pode ser mais bela e que sempre temos a aprender com a pessoa ao lado e que a matéria não nos vale de nada quando a vida pode ser perfeita. Sobretudo, por narrar nas páginas final que o amor é hipocrisia inventada que não supera tudo e nem honra as promessas feitas do passado e que  esse sentimento todo tem um fim caso sua aparência mude constantemente, e que somente nossa família e alguns amigos vão nos respeitar e nos amar da forma que somos.

Obrigado!







Um comentário:

  1. Olá, seu blog foi escolhido para participar de uma tag, as informações estão aqui >>> http://depoisdoslivrosblog.blogspot.com.br/2014/02/liebster-award-brincando-com-novos-blogs.html

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