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quinta-feira, 23 de março de 2017

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Este texto é pra você LGBT que enfrenta lutas diárias constantemente, sendo em casa, fora dela, no trabalho, no colégio, na faculdade, ou em qualquer lugar que seja. Estando em uma cidade pequena, em uma capital, em um país mais avançado, ou até mesmo em outro mundo.

Saiba que não há nada de errado em você, o problema está nas outras pessoas. Ser da forma que você se sente bem, se vestir da forma com a qual você quer e buscar o que você acha ideal PARA A SUA VIDA, sem afetar ninguém de forma negativa, não dá à outras pessoas o direito de virem apontar o dedo na sua cara como forma de criticar-te por suas atitudes ou te dizer como você deve agir perante os modelos e limites impostos pela sociedade.

Quem foi que definiu o que é certo e o que é errado? A forma certa com a qual devemos viver a vida é a que foi escrita naquele livro da época dos primórdios que é o maior best seller mundial, que aliás até um Game Of Thrones consegue ser mais interessante que aquelas histórias paralelas e de diversos pontos de vista? Até eu comeria uma maçã se estivesse entediado em um paraíso preso com 1 pessoa do sexo oposto e 1 cobra, que por sua vez era falante.

Nunca permita com que ninguém te coloque para baixo. Te diminua. Te deixe triste ou tente fracassar os seus planos e objetivos por algo que você quer e busca em sua vida. Viver em conflitos com você mesmo, tentando entender se o que você está fazendo é realmente errado pelo simples fato de uma parte da massa da sociedade não aceitaria quem você realmente é, já é o suficiente.

Se algumas pessoas soubessem o que nós, LGBT’s, passamos tanto em conflitos internos quanto externos, elas nos abraçariam sem que nós pedíssemos.

Eu era chamado de bichinha no colégio porque a minha letra cursiva era bonita e diferente dos meninos da minha idade, meus trabalhos de colégio sempre foram os mais caprichados porque eu sempre enfeitava demais as capas e isso era coisa de menina. Aos 10 anos minha mãe teve que pedir a diretora do colégio em que eu estudava para que eu não fizesse mais educação física porque o professor tinha me chamado de gay, porque em suas aulas SUPER DIDÁTICAS, este mesmo ser só passava futebol para os meninos e queimado para as meninas, e os meninos NÃO PODIAM BRINCAR DE QUEIMADO.

Houve uma época no colégio em que antes do intervalo eu descia uns 5 minutos mais cedo, antes do sinal tocar, para comprar merenda porque para que eu chegasse até o local eu teria que passar por uma quadra e se os meninos estivessem lá já no intervalo eles chutavam a bola em mim e no meu outro amiguinho.

Aos 14 anos eu havia perdido o tesão pelas as aulas de educação física, e pedi assim que a minha mãe conseguisse um atestado para que eu ficasse isento dessas atividades porque eu simplesmente me sentia envergonhado por não brincar de futebol como os meninos. Aí as haters me odiaram ainda mais, porque o professor me passava um trabalho manuscrito pra fazer que na época eu copiava do wikipedia e tirava 10, e quem fazia as atividades de educação física ficava com menos nota que eu. Vai entender...

Nas leituras coletivas das aulas de redação, quando a professora pedia os alunos para lerem, eu sentia aflição quando ia chegando próximo a minha vez, porque sempre tinha algum engraçadinho que fazia piadinha.

Hoje, felizmente, os tempos são outros (ou não), mas há um tempo que não me lembro de ter sofrido qualquer tipo de piada ou atitude que me fizesse remeter a algum trauma de infância. E por não fazer mais parte do meu cotidiano penso que as pessoas tenham melhorado, mas não. Além desses, vários outros comportamentos desrespeitosos com nós gays, lésbicas e trans ainda existem. Sejam nas escolas, nas ruas, ou em casa. Isso ainda está latente em nossa sociedade e ainda me choca, me entristece. Eu sinto vontade de abraçar essas pessoas, e dizer: Vem cá, eu te entendo. Continue lutando. Vai dar tudo certo. Seja quem você e nunca deixe ninguém te dizer o que você tem que fazer. É a sua vida!

A situação com os nossos pais é um pouco diferente porque eu penso que não podemos simplesmente enfiar goela abaixo algo completamente diferente da criação que eles tiveram na geração deles. Fazer com que eles aceitem a nossa condição de uma hora para a outra. Leva-se tempo para que eles entendam e consigam digerir esta ideia pois não há nada de errado conosco e o nosso caráter e essência permanecerá o mesmo. Mas enquanto isso não acontece vejo ainda pessoas que são machucadas por palavras dentro da própria casa por motivos banais, por pessoas que deveriam simplesmente acolhê-las. Não só por palavras, quantos crimes nós não vimos por aí envolvendo LGBT’s?

Eu não escolhi gostar de menino. Eu não escolhi sentir prazer por traços masculinos, ver beleza em um ombro largo, em uma barba mal feita, eu não escolhi. Mas se eu pudesse, ahhhh se eu pudesse escolher, escolheria tudo de novo. Porque ser quem eu sou, é maravilhoso. As gays são ótimas, elas conseguem ser engraçadas, e em discussões você nunca sabe se está sendo elogiado ou se está sendo criticado. Elas fazem piadas com tudo. Isso é tão lindo e feliz.

Se alguém me chamar de “Gay” hoje eu me sinto orgulhoso e extremamente elogiado, embora eu ainda consiga passar por hétero. Os gays são pessoas maravilhosas, cada um com a sua peculiaridade, são fortes e rústicos, inteligentes, criadores dos maiores memes da internet. O que seria do mundo se não fosse a gente, não é mesmo? Abrace a sua amiga gay, acolha esses serumaninhos, e diga-os: Eu te admiro!

Essa imagem define o que nós somos. Há uma luta diária todos os dias, e mesmo assim conseguimos mascarar todas essas feridas com curativos meigos e fofos de uma forma criativa. E ainda continuar agindo como se nada.

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