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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Diálogo


- Da sua temperatura.
- Mas e o olho?
- É interessante.
- O pé?
- O pé é bom também. Mas a temperatura.
- Nunca ouvi falar disso.
- Do que?
- Da pessoa gostar da temperatura do outro.
- E daí?
- Pensei que você ia falar do cabelo.
- Seu cabelo é tão bonito que me dá até medo.
- Olha as coisas que você diz.
- Você me acha estranho.
- Nunca.
- Não foi uma pergunta.
- Eu gosto de você ser de outro jeito. Eu amo.
- Eu acho que eu uso errado o meu amor.
- E tem jeito certo?
- O problema é que eu já gosto de você há tanto tempo.
- É bom porque aí você já sabe gostar de mim.
- Eu sei gostar de você e não ter você. Gostar e ter é outra coisa.
- É melhor?
- É só outro planeta. Eu vou me acostumar.
- Leva um casaco, tá frio.
- Perto de você é sempre morno.
- Perto de você é sempre hoje.
- Vou lá embaixo, já volto.
- Espera, só mais uma coisa: uma girafa.
- Onde?
- Você falou que gostava muito de girafa e baleia e perguntou se eu preferia ser uma ou outra.
- Girafa dorme vendo filme?
- Acho que não. Elas só dormem duas horas por dia.
- Tá, então faz assim: continua sendo você pra sempre.

Uma girafa pode atingir até 50 quilômetros por hora mas ela ficou ali bem quietinha, com seus 37 graus centígrados, esperando ele voltar.

Vida


É estranho explicar, mas eu sinto saudades de quem eu fui. Não que eu esteja completamente diferente do que eu era, mas eu estou. Racionalmente falando, eu não sou mais o mesmo de antes. Tenho tido uma imensurável saudades da minha casa, dos meus velhos amigos, da minha velha vida. Sair de casa enche os olhos de qualquer adolescente. Aqui fora é um mundo, pra quem ainda está sobre o cuidado dos pais. Mas vou contar um segredinho: Vocês vão sentir MUITO a falta do que vocês tem, e aí vai ser tarde, porque tudo vai ficar no passado. E aí fudeu. O tempo é a pior de todas as coisas desse mundo. Ele te devora. Não espera por você, tampouco volta pra você. Se a gente não aproveitar as pequenas coisas que a vida nos proporciona no dia a dia, já era. Se eu ao menos pudesse voltar, eu teria aproveitado tão mais, e mais, do que eu tive. Não que eu não tenha mais, só não alcanço mais. Tô bem, feliz não. Feliz eu fui até os meus dezenove anos. E olha que eu estou com vinte hein... Mas tenho pensado sobre a felicidade, sobretudo sobre a vida. Aquela que eu deixei pra trás...


segunda-feira, 7 de maio de 2012

E daí?!


E daí se minha vida for um livro sem marcação de páginas que o vento bagunçou e revirou todas elas numa frequência só? E daí se não foi feito pra ser meu? E daí se eu perder, e daí se eu chorar? E daí, e daí?! Às vezes a vida engana, a gente mente, e ela nos rouba, mancha nossos sonhos, corrói nossos planos, e o que nos resta ao acordar é lavar o rosto e dá-lo a bater novamente, e começar tudo de novo. E daí se tiver que ser? E daí...

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