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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

O que me atravessa.



Hoje algo me roubou o sono.
Não sei o que foi, de onde veio, nem definir com precisão com que intensidade foi, mas lembro da cor dos seus olhos. Acho que eram claros. 
Lembro-me do tom de sua voz, acho que era rude. 
Lembro-me dos poucos pelos nos braços largos e a combinação perfeita de uma munhequeira, acho que era estilo. 
Lembro-me dos assuntos vagos, acho que era falta de química. 
Lembro-me do som ao fundo, acho que era Yellow de Coldplay. 
Lembro-me também de seus vastos olhares que me atravessavam a cada segundo, acho que eu olhava fixo. 
Lembro-me dos quarteirões pelos quais passamos, acho que foram três. 
Lembro-me do celular, acho que era Iphone. 
Lembro-me do carro, acho que era prata.
Lembro-me do perfume, acho que era DIOR.
Lembro-me da roupa, acho que era camisa cinza com calça jeans.
Lembro-me do cabelo, acho que estava molhado.
Lembro-me de mim, acho que era idiotice.
Lembro-me de você, acho que era pra ser. 
Lembro-me também de quando eu esperava por você, acho que era pra não ser.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mais um dos avulsos.



Tô assim, sabe, tão intenso, tão bem, tão forever. Como dizia Caio Fernando: Nunca tive um jeito assim tão forever. Uma vez um professor disse que para termos sucesso precisamos de asas, direção, e foco. Eu tinha as asas, a direção e só precisava focar (foi o que ele me disse) e eu comecei. Aprendi tantas coisas este ano. Aprendi com uma atendente da C&A que podemos sim ganhar as coisas na insistência, aprendi com meu professor de Antropologia social (Wilson) que por mais que um ambiente esteja chato, e por mais que estejamos em uma mesa de bar em um grupo no qual nos sintamos deslocados estamos sempre aprendendo algo, podemos sempre tirar bom proveito de qualquer coisa que nos aconteça, independente da situação. Aprendi com um amigo que as coisas mais improváveis podem se tornar prováveis de uma hora para outra, ou pode demorar algum tempo, mas aprendi a esperar também, a ser paciente. Vi que família é a base de tudo, e que não se escolhe a família que tem, mas se ama a que tem, e eu a cada segundo que se passa amo mais a minha. Aprendi que erros podem mudar caminhos, destinos e pessoas, mas também é a melhor forma de aprendizagem da vida. Vi que por todo lado terão aqueles que podem nos machucar, e nos derrubar, e que são poucos aqueles que param para estender a mão, e que esse gesto pode surgir da pessoa que você menos espera. Aprendi a ser paciente com o amor, a confiar mais nas pessoas, e deixar ir quem realmente quer seguir em frente, e deixar entrar quem realmente queira. À não dar importância o que os outros dizem, afinal é sempre diferente a visão de alguém que está por fora de algo que você procura uma solução.  Aprendi também com meu melhor amigo que nunca podemos deixar com que ninguém nos faça esquecer quem realmente somos, e acima de tudo, amizade sempre se fortalece a cada queda, assim como nós. No fim, vi que nem sempre ser independente é de fato crescer, mas sim tentar algo que você realmente quer e acha certo, e que a nenhum lar é melhor que a nosso lar, e que abraço de mãe o melhor de todos já vistos e sentidos, que pai é sempre herói, e irmãos são seus cúmplices e confidentes.

E o mais importante é que isso é pra vida toda.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Impossibilidades do amor.


Quando você desiste, você não desiste do amor, você desiste da impossibilidade.

Começa a não dar certo, e você pensa que vai sofrer pra caralho, aí você vai lá e desiste. Ou dá certo com um e não dá certo com outro aí você pensa que vai sofrer pra caralho, aí você vai lá e desiste. Você não desiste do amor. Amor é algo que te faz bem.

Às vezes a gente vive de impossibilidades, histórias complicadass, porque talvez não estejamos com vontade de viver de verdade, ou talvez a gente enlouqueça aquele poquinho necessário pra fazer alguma coisa impossível virar possível. Porque eu acho que quando estamos verdadeiramente envolvidos a gente faz ficar possivel, a gente faz ficar de verdade, a gente faz ficar menos irreal, ou qualquer coisa.

Quando você hesita, você não hesita porque você tem medo, você hesita porque você não tem certeza.

E nessa cabeça de aquariano maluco eu penso que quando é de verdade você tem certeza, e se você não tem certeza ainda, talvez não seja aquela história, porque quando for... Será pra arrebatar, arrancar o fôlego, tirar o chão.

Então às vezes a gente só quer acreditar. E se isso vai nos levar em algum lugar?! Sei lá.
Mas se for te fazer feliz enquanto estiver indo, poxa, não é isso que é viver não?
O menor e o melhor sentido da vida é ser feliz, é correr riscos.

Portanto...

Ouvindo: Old Friend - Angus e Julia Stone AQUI.
(Tentei linkar a música no post, mas não deu)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

SACADA



- Te achei.
- Eu sabia.
- Sabia o quê?
- Que iria me achar.
- Sou tão previsível assim?
- Não.
- Então por quê achou?
- Porque eu acho que ainda acredito.
- Acredita em quê?
- Nas pessoas.

Ela levou a taça de vinho na boca e deu o primeiro gole. Ele enfiou as mãos no bolso e procurou por algo, em seguida arrancou um maço de cigarro. Tirou um, acendeu, e tragou. A luz do ambiente era pouca, mas mesmo assim reluzia os olhos verdeados dele. A brisa soprava os cabelos da moça desarrumando-os e os jogando frente ao seu rosto.

- Isso vai te matar.
- O cigarro? - Perguntou ele tragando mais uma vez.
- Sim.
- Relaxa moça. Não morri nem de amor, quem dirá de cigarro.
- Já amou alguém?
- Já. Umas duas vezes.
- E eu achando que só se amava uma.
- Não. As pessoas amam uma, amam duas, até três.
- Vezes?
- Vezes, e pessoas. E você, já amou alguém?
- Já. Um homem qualquer. Ele me fez acreditar que eu era especial, mas eu acho que a ex namorada continuou sendo mais especial que eu, o final você pode adivinhar, eu deixo.
- Te traiu?
- Sim.
- E o que ele disse?
- Que passava os finais de semana com a mãe.

Os dois estavam numa sacada de um bar de uma cidade grande qualquer desse mundo. Ela olhava o trânsito lá embaixo e ele acompanhava as estrelas. Ela se preocupava com a luz do ambiente, e ele se preocupava em arrumar as mechas rebeldes de seus cabelos que caiam sobre seu rosto.

- Preciso ir. - Disse ela.
- Mas já?
- Sim. Está ficando tarde.
- Mas são apenas onze da noite.
- Ele está me esperando.
- Quem?
- O cara que eu amo.
- Mas...
- Mas?
- Achei que você não tinha ninguém. Ele te traiu.
- Sim.
- Por que ainda está com ele?
- Você, assim como eu, sabe que a gente não escolhe.
- O que não se escolhe?
- Quem se ama. A gente não escolhe.
- Pode ser por medo.
- Medo de?
- De viver. De se redescobrir. Redescibrir novas vontades, novos sorrisos, novas fragrâncias. Já tentou?
- Eu gosto da forma como eu me sinto ao lado dele. Não me importo que ele me traia, eu só quero ter a certeza de que no final do dia ele estará em casa.
- Mas e se um dia ele não voltar?
- Eu vou continuar esperando.
- Esperando por nada?
- A gente sempre espera por algo.

Os dois ficaram mudos. Ela tomou o último gole da taça de vinho. Se afastou da sacada, olhou o garoto que estava ao seu lado. Camisa preta de rock, calça jeans caída, e cueca preta de elastano aparecendo. Ela vestia um vestido de griffe e usava brincos de prata, seu saltos eram os mais caros, e a taça na qual bebia era de cristal, enquanto ele fumava um cigarro de baile e tomava cerveja em um copo descartável. O garoto manteve o olhar fixo no céu como quem buscava alguma coisa, alguma estrela cadente para realizar um pedido.

- Te vejo por aí. - Disse ele.
- A gente se esbarra. - Se despediu ela.

A garota pegou a sua comanda, foi até ao caixa e passou com um cartão de crédito cinco estrelas. Passou a mão nos cabelos e jogou-os para trás, olhou para o relógio em cima da porta, pegou a nota e agradeceu ao menino do caixa. O relógio apontava onze e dez, ela certamente estaria atrasada. O garoto da sacada olhou para a porta de saída até que a perdesse de vista no vão da escada. Abaixou a cabeça e deu o último trago no cigarro, segurou-o pela ponta e o soltou ao ar livre de onde estava. Encheu mais uma vez o copo de plástico de cerveja, e cruzou os braços sobre a sacada do bar. Seu olhar era de um cara que não se preocupava com nada, apenas com o que seria da vida dele no amanhã, e imaginava a garota que já tinha uma vida toda planejada. Ele era exatamente um nada.

- Eii... Me dá um cigarro. - Voltou a garota.

Ele estendeu o maço e a garota retirou um, acendeu e tragou.

- Isso vai te matar.
- Não morri nem de amor, quem dirá de cigarro.
- Está atrasada.
- Cansei.
- De quê?
- De continuar voltando pra casa, e esperar.



domingo, 25 de setembro de 2011

O que não volta mais.

- Posso te perguntar algo?

- Claro. Todas as coisas desse mundo. - Respondeu ele.

- Quando namorávamos... O que fez você gostar de mim? Como era eu?

- Olha... Eu gostava da sua autenticidade... - Respondeu ele que logo em seguida deu um sorriso de canto de boca, era um sorriso orgulhoso, de quem estava tendo um momento nostalgia. - Você não forçava nada para mostrar quem você realmente é. Você era quente, carinhoso, e eu gostava de você porque eu adorava discutir com você e depois pedir desculpas cheio de beijinhos. E além do mais você é sarcástico, irônico, e muitas vezes dramático.

- E isso é ruim? - Com as mãos no bolso, sorri sem graça.

- Algumas dessas coisas podem parecer defeitos para alguns. - Ele deu uma pausa, me olhou nos olhos, e concluiu. - Mas pra mim nunca foram.

O que eu queria te dizer...

Você nem sonha que na sua falta eu deito na minha cama e me reviro de um lado para o outro somente esperando que você se lembre de mim, como também não imagina que eu fico na espreita olhando para o celular esperando qualquer sinal de vibro dele; qualquer sinal de vida sua. Quando me deito fico pensando que a última coisa que eu preciso na minha vida é você, mas por ironia você se tornou uma coisa indispensável, é como se eu respirasse você, vivesse você, ou não vivesse sem você. Às vezes tudo que eu queria era que você nunca estivesse entrado na minha vida, eu estava tão bem, mesmo que agora eu esteja melhor ao teu lado, é bom ter você, mas é horrível pra mim sentir a sua falta e não poder te dizer isso por medo de estar sendo demais, pela insegurança de estar te sufocando. Sei que em um relacionamento a gente tem que ter nosso espaço, e a gente se dá o "nosso espaço", acho que por isso temos tanta química e nunca nos desentendemos desde que entramos nesse barco, mas eu sou crianção ainda, no fundo sou carente de afeto, quero você pra mim todas as vinte e cinto horas do meu dia, queria poder te falar isso, mas também sou aquela criança pirracenta que não dá o braço a torcer, sabe?! Por minutos acho que você me ama menos, e até duvido do seus sentimentos sinceros por mim, e é aí que vem você e me desarma. Você me desarma dizendo que tem saudades, e que me ama, e eu fico sem saber o que fazer, o que falar, como agir, e é o momento no qual eu fico mudo, fico indiferente, fico fora de mim. Relacionamentos tem disso, mesmo que ambos estejam na mesma sintonia, no mesmo andar, no mesmo patamar, sempre terá o que sente mais, o que demonstra mais, o que é ruim com as palavras e é bom com atitudes, sempre terá, mas amor é isso, e daí? é por isso que a gente entra em um, não é pra se arriscar? correr perigo, sentir o friozinho na barriga?! A gente dá aquilo que a gente espera de volta, é como emprestar dinheiro, eu te empresto vinte reais, e quando você vem me devolver, por mais que eu diga "Não precisa, pode ficar pra você." lá na frente eu vou te cobrar, vai ter um momento que eu vou te lembrar. Desculpem-me pelo trocadilho, mas vocês me entenderam. Posso ser neurótico, dramático, orgulhoso, ciumento, tudo... Mas é porque eu te amo, nunca conseguiria ser menos isso tudo por você. Queria te escrever isso tudo agora, neste momento, do meu domingo (25 de setembro às 18:26 horas) no qual você sumiu o dia inteiro e não me deu nenhum sinal de vida, apenas disse que está com saudades e que me ama, e que dormiu o dia inteiro, ficou de me ligar quando terminasse de fazer as coisas no "pós-descanso" e até agora nada. Eu me deitei e me contraí na cama até agora desejando dormir e acordar somente amanhã, tentei deixar meu celular desligado, tentei não pensar em você, mas por você eu não consigo, não consigo ser indiferente quando o meu tudo nesse mundo é você. E você sabe, que eu já te disse, que enquanto eu não falo o que me incomoda eu não consigo dormir, descansar, relaxar. Não consigo, e não quero falar pra você, então escrevo aqui na esperança de que quando eu terminar a última letra e colocar um ponto final eu consiga assim dormir.

Sem mais.

domingo, 4 de setembro de 2011

Crescer?! Ah... Crescer!


Tenho tentando todos os dias ao acordar ser uma pessoa madura, me tornar um adulto grande, mesmo que me exija muito esforço e energia às vezes. E eu tenho tido sucesso, embora ser uma pessoa grande às vezes nos esgota, e chega o momento no qual acabamos sentindo falta daquele tempo bom onde a nossa preocupação era "Do que eu vou brincar amanhã?" ou "Será que a tia vai reparar amanhã no colégio que eu não fiz o dever de casa?" ou "Será que o coelhinho da páscoa vai reparar meu sapatinho na janela?" 


Tenho lembrado todas as manhãs da palavra "Paciência". Temos que ser pacientes naquilo que esperamos e acima de tudo sermos pacientes com quem nos cerca e com o que fazemos no cotidiano. Porque nada é bom sem paciência, até nós mesmos. 


Hoje me encontrei sentado no cantinho do meu quarto no escuro e a luz do monitor e luminária acesas, era como se eu estivesse vendo uma luz no final do túnel para todos meus problemas, que se não fossem problemas não teria me tornado essa pessoa tão confusa e crescida que sou hoje e que faz eu me olhar no espelho todos os dias e me dar conta do quão estou mais evoluido que ontem e acima de tudo gostar do que vejo. 


Conversando com meu melhor amigo antes do post ele me disse "Não deixe com que as pessoas te limite. A única pessoa que pode te limitar é realmente você. E você sabe o que você faz, e sabe o que é o certo, pode não saber que sabe, mas lá no fundo você sabe. E amigo, eu sei que você é crescido e maduro o suficiente para isso." O que ele falou serve pra muitos de nós em qualquer situação que a gente passa e para no meio da estrada com aquele medo e frio na barriga e se pergunta "Pra onde eu vou agora? O que eu vou fazer?". 


E eu agora paro e me pergunto; Será que a gente sabe pra onde ir quando não temos nem a certeza de onde queremos chegar? Finalizo esse post "sem nexo" com a frase que finalizei a ligação minutos antes de me sentar e escrever "Pensar nisso tudo me deixaria maluco".


quinta-feira, 7 de julho de 2011

"À deriva" Na verdade nem tanto.



É isso, sabe? A gente quebra a cara com um cara e rotula todos os carinhas fofos do mundo como babacas. E quando isso acontece a gente passa um bom tempo sozinho, completamente à deriva. Uma vez li um ex namorado dizendo em uma rede social "Deriva pra quê? Vou manobrar meu barco.". Vai lá ô babacão, eu prefiro deixar a maré virar, me recompor de um amor auto destrutivo, e recuperar sonhos que até então achei que estivessem desfeitos, prefiro me curar, juntar meus pedaços, cuidar de mim, estar pronto para outra, pra mergulhar no mar de novo. Mas o fato é, todos sabemos que estamos nesse medíocre mundo para aprendizado, as pessoas ensinam, a gente ensina, quebra a cara, aprende, levanta, ergue e até mesmo segue em frente, às vezes até cometemos o mesmo erro de sempre, eu particularmente vivo errando, mas daí eu penso: Quem nunca erra?

Parei de ficar procurando desesperadamente pela minha segunda metade como fazia quando tinha meus dezoito anos nas costas. Hoje munido de coragem posso aceitar e peitar o fato de que as coisas acontecem e que não adianta buscar por elas. Buscar aprisiona, esperar também, talvez, porém a chegada, o encontro, "o acontecer" é libertador. Às vezes me canso de tudo, acordo com a vontade de jogar tudo pro alto e mandar todo mundo praquele lugar, mas no minuto seguinte quero tudo ao meu redor de novo. Eu não me entendo, você me entende?

Recentemente me peguei passeando pelo passado. Relembrando alguns amores e os colocando em balanças. Pude ver o meu crescimento a fundo, a descoberta do meu limite, até onde posso chegar, e do que sou capaz. Todos eles serviram para alguma coisa, não me queixo, não me arrependo - mesmo quando digo que me arrependo. risos. Se pudesse viveria tudo de novo, jogaria tudo pro alto novamente, choraria jogado na areia da praia de Macaé, tatuaria um nome de Henna nas costas em Cabo Frio, bateria com uma camisa molhada na cara de um babaca deitado na minha cama, tomaria um banho de chuva regado a beijos na rua central da minha cidade, transaria em céu aberto em cima de uma Hilux, e até mesmo acreditaria em um "Pra Sempre" dito por você.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Scarlet -- Prólogo

Pra quem não leu o prólogo de Scarlet, o livro no qual estou trabalhando e pretendo terminar até Agosto. Relembrando que não é uma auto-biografia e sim a vida conturbada de um personagem homossexual que começa a se descobrir uma mulher, criado por mim, e narrado em primeira pessoa, então evitem perguntas do tipo "é você?" e não criem pré-conceitos. Agradeço quem já leu as duas primeiras partes já prontas e estão super ansiosos para verem o final da história toda, e acima de tudo agradeço o apoio e a motivação que vocês me dão.


Nunca soube lidar com essa história de ser menino. Nunca gostei de brincar de carrinho, usar bermuda, e camisetinhas, eu gostava mesmo era de brincar de casinha, ser a mamãe, mandar na casa. Sempre invejei minhas coleguinhas que usavam rabinho de cavalo no pré-maternal, pra falar a verdade nem sei porque vim em corpo de menino.



O que um garoto faz da vida, além de passar o dia todo falando de futebol na juventude, e depois na vida adulta se prender a uma mulher qualquer, casar, ter filhos, e engordar. Com todo mundo é assim. Mas com meus pais foi o contrário. Meu pai sempre vaidoso, com tudo. Cuidando do corpo enquanto minha mãe se acaba dentro de casa. Ele cuida do cabelo enquanto ela vai ao cabeleireiro por semestre.



Meu pai é O coroa, o trintão gostosão que qualquer garotinha de dezesseis coçaria a vagina pra sentar em cima. Eu particularmente acho que não só tem as de dezesseis como as de vinte também relaxando em cima do trintão.



Minha mãe é um doce, a mulher perfeita, a invejada da cidade, toda perfeccionista, recentemente escreveu um livro de culinária que quase virou um Best seller. Ela tem um futuro pela frente, mas é daquelas mulheres que se prendem ao homem de uma forma que a façam esquecer de si.



Eu sou Oscar. O filho único de 17 anos, a ovelha negra da família. Meu pai me recrimina até hoje por ter me pego embaixo do edredom com o meu primo aos quatorze. Minha mãe apenas consegue sorrir e dizer que é fase, logo em seguida entra pro quarto e chora como se o mundo fosse desabafar. Meu pai, o militar, homem da casa, sempre ausente, nunca com tempo pro filho. E assim eu fui crescendo.


Cresci nesse meio. Criando um mundo e descriando. Criando fantasias no meu quarto azul. ODEIO essa cor. Afinal, sempre preferi o roxo, ele é libertador. Pintaria toda a minha casa de roxo se possível, somente para me libertar desse inferno.



No colégio sempre abusam de mim, abusam por eu sempre ter andado com meninas, me sentir uma menina. Tinha um amigo, o nome dele era Eduardo, ele era gay, mas não contava a ninguém da sua orientação por jogar nos jogos estudantis do colégio. Ele só me encontrava as escuras no final do dia pra me contar o que acontecia nos vestiários. A gente bebia, fumava, e depois ele ia embora.



Era assim o tempo todo. No auge dos meus dezesseis conheci Otávio via internet, fomos nos apaixonando aos poucos. Todos os dias ele me dizia coisas fofas, me ligava, e a gente foi levando. Quando completei finalmente dezessete ele me pediu em namoro, eu aceitei, claro. Ele era lindo, era o marido que eu escolheria para passar o resto da minha vida ao lado, engordando, e indo de seis e seis meses ao cabeleireiro se possível. É loucura, mas eu por um segundo, me peguei pensando assim.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Avulso


 
" 'Sinto muito' São apenas duas palavrinhas." 
 
Sempre penso depois que você vai embora,
Quando percebo que eu estava agindo super errado e talvez egoísta;
Tão egoísta, que minhas atitudes quando sem folêgo pra respirar.

Quem foi que te disse que nós não precisamos dizer adeus?
Que nós não precisamos brigar e chorar...
Nós podiamos somente nos abraçar bem forte amanhã...
Talvez, amanhã.
Amanhã...
 
E é esse TALVEZ,
Esse 'talvez' que me nivela e nunca me dá a certeza do que está por vir, tornando todas minhas dúvidas iguais em relação a qualquer outra coisa existente nesse medíocre mundo. O que torna todos os homens iguais a qualquer sinal de vida que meu coração possa bombear ao se encantar com qualquer outro.

Escravos de nossos próprios vícios... 
Quem diria.
Tememos nossas próprias emoções.
Irônico, não é mesmo?

Ninguém sabe onde fica a praia.
Eu não sei, você sabe?
Estamos divididos por um oceano
O mesmo que te impede de remar até mim, 
O mesmo que o faz temer esse "re-amar".
 
Todavia a única coisa que eu tenho a certeza à cada porta que se é fechada, a cada virar da maré, e a cada despertar em meu quarto quente e contraditório é que essa resposta não é para nós. Definitivamente.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Com você, Pra você, Por você.



 Vem, me deixa eu te dizer o quanto podemos ser perfeitos juntos. Deixa eu dividir a pipoca do cinema com você, a cama, o edredom, o travesseiro, tudo. Permita-me conhecer seus limites para assim conseguir compreender os meus. Leve-me com você, prometo não ficar silêncioso no caminho, levo até aquele cd que você tanto gosta, sabe? Aquele que eu odeio mas mesmo assim aprendi a gostar por você. 

Vem, mas vem pra somar, multiplicar, não pra dividir, nem diminuir, quero resultados. Resultatos bons, de preferência, basta querer. Lembra daquele céu? então, posso pintá-lo no teto do nosso quarto se quiser. Faço isso. Por você eu faço, só me pedir. Jogaria meus livros todos fora só para te ler o dia inteiro, até nunca me cansar.
Vamos, eu sei que você quer o mesmo, me mande um sinal, me mande fogo, me mande uma mensagem, algo que seja recíproco. Vem, pode vir sem medo, me corresponda. Não quero voar sozinho, só voo se for com você, só deito se for com você, só divido se for com você, só pinto se for pra você, só me canso se for por você. Só com você, com mais ninguém.

  
 "O que eu tenho, nesse instante, é uma cor de olhos que não sei definir com precisão, um corpo que se encaixa no meu e uma conversa que me mantém fascinado. Em contrapartida, é como se houvesse um fio de alta tensão bem perto dos meus pés molhados."


09:38




Estou tão desiludido com o amor atualmente. Eu que sempre achei que era necessário ter alguém pra contar as coisas boas no final do dia já acho que é babaquice ter com quem compartilhar as coisas boas do seu dia, uma vez que você faz isso o tempo todo com seus amigos. 

Ontem conversando com um amigo ele me disse que estava precisando namorar, estava sozinho, sem amigos, e que queria se prender a alguém. Quando é que a gente se toca que precisamos nos prender? Literalmente falando. Que precisamos arrumar um parceiro, ou parceira para dividir risadas, intimidades, confidências, e blá, blá, blá... Todas essas coisinhas chatas que com dois meses viram rotina. 

Não concordo com pessoas solitárias que tem a necessidade de estar com alguém, como também odeio as que começam um relacionamento e somem em duas semanas porque estão namorando. Assim como ODEIO mais, muito mais, os caras que somem no auge da primeira. 

Recentemente me encontro correndo disso tudo. Tenho corrido de garotos que querem se prender a alguém, de garotos que mandam SMS no domingo quando você acorda de ressaca do sábado a noite, de caras que usam a lábia para traçar menininhos, tenho corrido de tudo que me exige por inteiro, tenho corrido por ter sofrido bastante em meu último relacionamento; o qual me fez perder o "saco" com quem me abrace a noite, me fez perder a vondade de dormir abraçadinho com alguém. 

Contudo é um correr bom, é um correr de volta pra mim mesmo. É um correr contrário? Até pode ser, mas é um contrário bom. Quando começo a conversar com um cara legalzinho, e eu vejo que eu começo a me apegar, eu corro, fico indiferente, não procuro. Basta eu me pegar ansioso esperando uma ligação de tal, com meu celular do lado. Corro como quem quer fugir de uma outra destruição; lê-se DESILUSÃO. Mas sei lá, sabe? Não estou pronto pra outra agora. Pelo menos eu acho. E se você que estiver lendo esse texto, estiver mega afim de mim, não desanime, eu sou um cara legal. Mostre o quão diferente disso tudo você pode ser, e me faça correr, mas me faça correr em direção a você.

Por hora é só.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Fora do meu aquário

 
Minha vida é um aquário, sou aquariano, repleto de personalidades, posso ser o que você quiser, basta você me pedir. Repleta de temporadas é a minha vida, e como cada temporada busca mudança eu busco coisas novas, todos os dias. Toda manhã quando acordo antes de seguir com a minha rotina eu limpo meu aquário, e hoje ao acordar vi que algo ainda estava por inteiro naquela água verdeada de sujeira e hipocrísia, era sua presença, não fazia mais sentido você estar lá, acabou, eu te tirei da minha vida, porém você ainda estava lá, vi você mergulhando perfeitamente nu, como se buscasse alguma coisa, algum refúgio, como um leão faminto você me procurava, era apenas pra me ferir, eu sei. Convenhamos, não faz sentido, como nunca fez. Por isso te quero fora do meu aquário, hoje quando me levantei peguei toda aquela água e derramei sobre a pia em água corrente, parece loucura, eu sei. Esfreguei até tirar todo o resto de você, todas as cores que lembravam a tua presença acinzentaram-se, logo depois troquei as cores por mais vivas, mais chamativas, completei com água limpa, e coloquei peixinhos novos, isso mesmo, peixinhos novos, no plural. Não te quero mais nadando por aqui. Não quero mais esse redemoinho que me envolve, me afoga, me machuca e me traz "você" embaixo de toda essa água feito um mar em fúria me segurando e impedindo de que eu nade em meio essa tormenta, quero poder nadar tranquilamente, não quero mais nadar em meio a tantos tubarões. Apenas desça, desça por esse ralo, pra sempre. E se esse "pra sempre" não existir vá por enquanto. Apenas vá pra longe, pra bem longe desse meu aquário chamado coração.



[Esse é o desfecho de um texto que escrevi e não postei no blog. Achei que poderia melhorá-lo por isso ainda não o postei, mas gostei do final, por isso o divido com vocês. Eu só queria postar algo, por isso o coloquei. Espero que gostem]





segunda-feira, 14 de março de 2011

Difícil é se atirar do edifício.

Se você quiser, só se você quiser
Te dou meu coração
Arranco ele do peito com canivete
Dói um pouco mas depois passa
Como tudo passa; o trilho, o trem, o tempo, o vento

Se você quiser, só se você quiser
Te dou minha mão, meu pé
Uma perna, um braço
Sem eles eu passo muito bem, juro.

A dor que me dói, também conforta
Dói um pouco e pouco me importa
Morrer de amor

Morrer de amor não é difícil, 
Difícil é se atirar do edifício.

quarta-feira, 2 de março de 2011

A carta que eu não mandei...




Hey B.

Como anda a vida? Como anda você? Conte-me as novidades, traga um champagne ao "meu apartamento", vamos sentar na sacada e rir de tudo isso, gargalhar até a madrugada como faziamos antigamente, conte-me dos seus dias, suas loucuras, seus casos extra-curriculares [risos]. É tudo que eu queria saber sobre você, mas não consigo, sempre quando tento me lembro do que aconteceu entre nós, lembro-me do quão longe você chegou para escalar a "vida" que planejara. Sempre soube que era capaz de tudo, porém não sabia que seria capaz de tudo comigo. Sabe como eu penso mil vezes antes de fazer as coisas não é mesmo? Pois então, essa semana peguei inúmeras vezes meu celular para lhe enviar uma sms simples, te proteger de certas coisas que eu vejo acontecer por aqui, que está arruinando com a sua reputação, mas sempre deleto a mensagem quando chego ao ponto final, eu não posso. Mas espera, quem está arruinando com você mesma é você, pense. Sei das suas metas, sei do que você quer pra sua vida, mas o final feliz é coisa de cinema, ou casos a parte, não arruine sua vida, lembre-se dos nossos conselhos, lembre-se do que eu sempre falei a você. Ahhh... E eu vou bem. Comecei a estudar, sim, a faculdade está sendo tudo de bom, conheci várias pessoas, o curso então, nossa, estou super empolgado, acho que vou me superar, mesmo sendo tão difícil às vezes, e me dando uma louca vontade de "desistir". Queria poder falar do meu namoro também, do quanto está me fazendo bem, de todas as coisas boas, mas algo me retém, fico com receios de comentar pelo que nos aconteceu a dois meses atrás. E quero que saiba que por mais que eu não sinta sua falta, lá no fundo, bem lá no fundo mesmo, me vem uma nostalgia dos nossos velhos tempos, quando pessoas me perguntam por você respondo que não tenho notícias suas, e isso me dói. Não quero me lembrar da amiga que tive em Novembro/Dezembro, e sim da amiga que tive desde os "Dez" anos e que partiu pra bem longe de mim em Novembro do ano passado, deixando tantas coisas boas para trás, tantos momentos, e arruinando tudo que já vivemos. Quando comento com alguém sobre o ocorrido, eles perguntam "Mas vocês eram tão amigos..." eu respondo "Sim, nós éramos" deixando o verbo SER literalmente no passado.

Mas, amiga, e se o tempo estiver estragado tudo de bom que tivemos? 
Com certeza ele o fez. 
E se não tivermos toda aquela sintonia mais? E se ambos estivermos mudado? 
Com certeza mudamos. Nunca fomos iguais, e talvez hoje estejamos mais diferentes ainda um do outro...

Não quero falar sobre isso, ao final dessa pequena "carta" quis apagar por completo todas essas palavras que saíram com uma facilidade enorme, fechar a janela e continuar o meu trabalho, mas não, quero poder vencer esse medo, quero enfim poder falar sobre nós desde o fim, Quero que leia isso, se um dia chegar, não tenha preguiça de ler um texto enorme assim, como sempre teve. Se não o fizer será um enorme descaso, assim como foi no término de nossa amizade. Quero que lembre-se de uma frase que te disse inúmeras vezes:

"NUNCA DEIXE COM QUE O MEDO DE PROSSEGUIR E FRACASSAR NOVAMENTE O IMPEÇA DE CHEGAR ONDE QUER, SEMPRE SE É PERMITIDO COMEÇAR DE NOVO, E A NOSSA FAMÍLIA É A NOSSA CASA, A CASA, E A MELHOR CASA DO MUNDO É SEMPRE A NOSSA, NÃO É MESMO?"

Enfim, meu querido ex-eterno-melhor-amigo,

Levante e sacuda a poeira sempre de tudo que lhe faz mal, como eu faço e fiz com a nossa amizade que se perdeu no tempo.

E o champagne? Ahhhhhh... Qualquer madrugada dessas você vai se sentar em algum lugar com completa nostalgia de ser feliz, daí é só dizer "Garçom, por favor, desce um champagne"....

Com amor,
Rey.





quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nostalgia







Eles Tiveram uma semana de pura alegria, ele a contagiou com seus risos, a fez bem quando ela não estava, disse coisas bonitas a ela o que veio a duvidar depois quando descobriu alguma de suas mentiras sinceras.

Ele disse "Te amo pra sempre" e ela se esqueceu do "Por enquanto". Ele inventou um passado sobre sua vida que não existia, ela se encantou. Ele montou um personagem e se esqueceu do fato de quem realmente era.

Ele se foi, não disse adeus, não atendeu mais os telefones da garota iludida que chorava na cama todas as noites antes de dormir tentando descobrir onde foi seu erro, e o motivo de tal situação. Suas lágrimas a machucavam, machucava saber também que ela era um 'NADA' pra ele, pelo fato de ele ter ido sem ao menos se importar.

Ele seguia em frente naturalmente enquanto ela tentava se levantar para enfim caminhar.
Ele sorria enquanto ela tentava secar suas lágrimas e fingir um sorriso.
Ele amava outra enquanto ela tentava desamá-lo.
Ele mostrava ser um verdadeiro otário e ela mostrava ser uma trouxa.

Os dias se passaram, passaram-se meses, estações. Ela estava em outra, seguindo sua vida, acordava todos os dias com total alegria de antigamente e se sentia totalmente independente de qualquer ser, ela voltara a ser como antes, mas ainda pensava em como pôde ser tão ridícula ao ponto de sofrer por ele. Em sua bolsa ainda havia uma foto dos dois, que havia se desbotado com o tempo, na estante ela deixou a fotografia com um tom de velho que logo se empoeirou com o passar dos dias,  logo depois a foto começou a ser encontrada dentro de uma gaveta, onde ficavam suas coisas velhas, e esquecidas, até mesmo sem valor sentimental.

Então ele voltou, ele voltou como se nada tivesse acontecido. E como o passado bagunça o presente, ele revirou sua vida de cabeça pra baixo, e ela o permitiu. Deixando rolar ela se vê próxima a ele a cada dia que passa, está a beira de um buraco de onde ela saira sozinha da última vez. Mas ele parece diferente. Ele realmente mudou ou é apenas mais um personagem? Ela pensava em tudo todos os dias. Chegou a pegar o telefone inúmeras vezes para ligar e dizer tudo que queria, mas se conteve. Então, ele o fez, ela se assustou com a atitude e as palavras. Ao desligar o telefone imóvel ficou, queria pular de alegria, mas o medo do passado a prendia na cadeira, então, ela abriu sua gaveta, enfiou a mão em meio a tanta coisa velha e pegou a fotografia que mostrara a felicidade dos dois no verão passado - o que a trouxe uma enorme nostalgia - limpando a poeira da foto ela viu que não era mais a garota do passado, e que ele não era o tipo de cara que buscava pra sua vida.

Ela fechou a gaveta, seu olhar refletia um tom de alívio e ao mesmo tempo de tristeza. Ela caminhou até um campo, e em céu aberto, abriu seus braços e com os punhos fechados fechou os olhos e sentiu a brisa, a leve brisa que fazia barulho com as folhas secas caídas chão a fora. Logo em seguida abrindo as mãos deixou escapar milhares de pedacinhos de papel, que o vento levara pra longe dali. Enfim, ela se sentiu livre, e pela primeira vez pôde abrir os olhos e respirar novamente.

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