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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz ano novo. Só que não.




Último dia do ano. São quase meio dia, o que quer dizer que daqui a doze horas todo mundo estará pulando, estourando champanhes e vibrando com os fogos que, por sua vez, avisa que o novo ano chegou e que é hora de começar tudo novo de novo.

E isso é tão melação de cueca, um blá, blá, blá cansativo e um clima de correria chato pelas cidades. Não tem nada que eu odeie mais que os meses de Dezembro, Janeiro e Fevereiro. Primeiro que em Dezembro todo mundo só se fala em Reveillon, antes fosse o Natal o TOP 1 comentado neste mês, mas não, o mais importante é o último dia do ano. É a virada. Aquela conversação chata de “O que eu vou vestir? Onde eu vou passar? Com quem eu vou passar? Fulano diz que essa cor traz isso, Ciclano diz que essa cor traz aquilo”. Dá vontade de revirar os olhos dá um tapa na cara do ser humano que solta essas frases, e gritar em seguida: Vão todos caçar serviço. Que saco!!!

Quando é que se vestir de Amarelo vai te fazer mais rico, e vai te trazer dinheiro se você se contenta com o patamar que você exerce hoje?! Quando é que se vestir de vermelho vai te trazer paixão se você se contenta com o filho da puta, pé rapado, ignorante, e sem ambição que você tem do seu lado neste exato momento? Quando é que se vestir de verde vai te trazer esperança se você é um tremendo pessimista?
Odeio rótulos, amo quebrar regras, talvez esse seja o mal de todo aquariano, ou talvez não, eu sei lá. Só sei que hoje eu trocaria/daria a minha vida para passar a virada deitado na minha cama dormindo. Tudo que eu quero hoje é sossego, sem aquela aglomeração de gente, aquele monte de gente que nem te conhece e te deseja um bom ano, aquele monte de abraço suado, aquela sarro na multidão, empurra empurra, pisação de pé nas festas de virada. Ai que preguiça.

Outra ponto são as mensagens em massa te desejando “feliz ano novo”, não sou obrigado a respondê-las, o indivíduo vai no google ou pega a primeira mensagem fofinha que recebeu copia e cola e manda pra todos os contatos. Essa é a hora que eu nem leio a mensagem, já dou logo ESC, ou simplesmente deleto,  e sem responder. Quer me dar Feliz ano Novo, natal, o caralho a quadro, pode dar, mas escreva-o. Nem que seja somente: Feliz ano novo, seu corno mal amado. Eu vou adorar, juro!

Não consigo parar de pensar do que será a minha virada, até porque comprei uma camisa cinza bem clarinha pra usar, pelo simples fato de que eu me odeio de Branco, e não dá pra ignorar o fato de que o Branco puxa todo o flash da fotografia e ofusca todas as outras pessoas na foto. Isso ninguém sabe, né?! Vou de calça jeans também, e um sapato. Nada de bermudinha com canela aparecendo e chinelo deixando os dedos à amostra pra voltar pra casa com o pé preto de poeira de rua. Nada disso.

Em contrapartida acho que faço parte da grande minoria, se é que existe uma, que odeia esse clima de Virada ano misturado com férias, verão e carnaval. Por favor, Março. Chegue logo, já não aguento mais esse trio Natal/Reveillon/Carnaval que consegue ser mais chato que o Trio Elétrico e Claudia Leitte e derivados. Daqui a pouco o pior de todos vem, e é a hora que todas as pessoas que se vestiram de vermelho na virada começam a querer fazer pegação no Carnaval. 

Francamente... É um completo estado de insanidade mental fazer todos os dias as mesmas coisas e esperar que no ano novo as coisas mudem. Querem mudança? Comecem por vocês. Não é com roupa e pulando sete ondas que sua vida vai melhorar. E sim, sou um mau humorado, mau amado, que odeia esse clima de festança e adora ficar sozinho e acha todas essas datas comemorativas um feriado delicioso como outro qualquer, e que é um desperdício quando se cai no meio de uma semana. E ano que vem eu conto se meu ano foi feliz ou não. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saudades.



A gente cresce e deixa tanta coisa pra trás. Amigos, amores, manias, costumes, rotina, é tanto blá, blá, blá... Mas a família a gente nunca deixa, nunca desapega apesar de tantos pesares é ela quem nos cria pro mundo, ela quem nos dá colo, suporte, crescimento. Eu nunca teria saído de casa, até porque nunca precisei, sempre tive de tudo. TUDO (em Caps Lock) mas se eu pudesse voltar esse tempo todo que eu estive fora de casa, eu faria tudo de novo, talvez com a mesma intensidade, ou talvez não. Sei lá. Dá saudade, é triste, mas é tão bom. A gente deixa tanta, mas tanta futilidade de lado que quando a gente olha pra trás a gente ri, e às vezes até de desespero. Cresci tanto fora, mas tanto que eu tenho orgulho de mim. Estou contente, feliz não, mas REALIZADO por inteiro. 


Sinto falta do meu espaço, de onde eu cresci, chorei, me tranquei, sobretudo dei gargalhadas intensas que hoje me deixa saudades.


Quero!



Eu quero beijos sinceros, 
Promessas cumpridas, 
Verdades ditas, 
Mentiras sinceras. 



Quero hoje, 
Quero ontem, 
Quero agora. 

Quero ser pra você,
Quero ser pra mim, 
Quero ser nós. 



Quero ser... é. 
Eu quero!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sujeira



Adriana limpava a porta de casa todos os dias. Toda manhã ela varria não só a sua porta, mas também a de seus vizinhos para manter sua rua limpa. Renato todos os dias aguardava a sua empregada Dolores chegar para que pudesse dar partida para o trabalho. Todos os dias como um hábito muito feio Renato passava o dedo em toda sua prataria para ver se tinha algum vestígio de poeira, olhava os cantos para ver se havia alguma sujeira agarrada, ou olhava embaixo da cama para se certificar que o palito que ele havia jogado de propósito no dia anterior ainda estava lá. Renato era totalmente desconfiado com tudo. “Bom dia, senhor Renato.” Bom dia, Dolores. Renato pegou suas chaves e ao sair, enfiou a mão no bolso para guarda-las e achou alguns papéis, que certamente eram lixo do dia anterior.

Lixeira Longe. Pensou Renato. Nada de caminhar até lá. Renato olhou para todos os lados da rua, e jogou os papéis na rua tão limpa que Adriana havia deixado. Apertou o passo e com vergonha ficou ao lembrar das câmeras de segurança. Ao passar, acenou para Caroline que também se preparava para sair para o trabalho, ela mexia descontroladamente no celular para apagar o histórico de conversação do dia anterior que teve com outros garotos, Carolina esperava por seu namorado que vinha busca-la todos os dias para irem juntos ao trabalho.

O mesmo fazia Marcos da esquina antes de chegar na casa da namorada, ele se certificava se o carro estava “ok”, se tinha algum vestígio de mulher da noite anterior, já que mulherengo era. Ao parar no portão e chamar por Caroline, Marcos acenou para Adriana que estendia suas roupas em seu quintal. Adriana se abaixou para pegar uma camisa e notou que seu novo amaciante tinha manchado a tão favorita camisa de seu marido, com medo, Adriana jogou a camisa de molho em água sanitária e lembrou que se misturasse com Alcool ela teria um resultado melhor, lembrou também que não possuía álcool em sua casa.

Pegou sua bolsa, a chave do carro, e se deparou com Dolores saindo às correrias da casa de Renato. Dolores um dia sim e não via seu amante que morava há três quadras dali, e todo dia sim e não, ela chegava na casa de Renato às seis da tarde como de costume. Dolores só ia embora após Renato chegar de seu trabalho. Cinco e meia da tarde, todos os dias sim e não, Dolores corria para a casa onde trabalhava e como não teve tempo para fazer a limpeza diária, uma vassoura rápida na casa passava,  colocando toda a sujeira embaixo do tapete. Renato que era tão desconfiado olhava por todos os cantos procurando por vestígio de sujeira, só não se lembrava de procurar pelo lugar mais óbvio de todos: O tapete de pele de Urso que havia em sua sala.

Sujeira. Todos nós fazemos o tempo todo, e jogamos da melhor maneira possível tentando escondê-las, pois sabemos que se descoberta causará um dano. Na maioria das vezes fazemos as coisas pensando em suas consequências, ou não. Se são boas ou não, não importa. O que nós não sabemos é que o que mais tememos em esconder, um dia, de alguma forma ou outra, vem à tona. E não é papo pra dormir não. Quer saber o final dessa história? Vamos lá...

Renato justo em um dia sim e não decidiu mudar a mobília arrastou o móvel com a televisão na sala que tirou o tapete do lugar e ele descobriu que toda a poeira da casaa estava concentrada ali. Adriana continuou varrendo a porta de seus vizinhos para manter toda sua rua limpa, mas sua casa era uma desordem, e uma tremenda briga teve com seu marido quando ele descobriu que pela milésima vez ela havia manchado mais uma camisa de trabalho. Dolores foi mandada embora, largada pelo marido e renegada pelo amante – que também tinha família. Quanto à Caroline e Marcos, ele descobriu que ela tinha casos extra curriculares, e ela descobriu que ele era um tremendo canalha e a enganava com diversas mulheres mundanas todos os dias. Esses dois, por último, nunca mais se viram.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Cérebro e o Coração





- Hey... Você está dormindo?
- Não. Estou aqui, sonhando acordado.
- Ainda com o fulaninho?
- É.
- Você está me machucando com isso. Dá pra deixar de lado?
- Mas eu não consigo parar de pensar.
- Consegue. Só você tentar.
- Não. Eu não tenho escolha.

O Coração riu com sarcasmo.

- Quem não tem escolha sou eu. Você está me machucando.
- Cala a boca.
- Acha que se ele nos quisesse eu estaria machucado agora?
- Cala a boca, me deixa pensar!
- Não. Isso tem que parar!
- Não consigo.
- Estou aos pedaços. Vou morrer.
- Para de drama!
- É sério. Tá doendo. Dói muito. É horrível.
- Para de drama, por favor.

(Silêncio)

- Egoísta.
- Não sou egoísta.
- É egoísta sim. Só pensa em você, e eu aqui sempre me fodo. Eu sou o único que dói.Eu sou o único que chora, eu sou o único que quebra, eu sou o único. SEMPRE!
- Não é verdade.
- É sim. É sempre assim, quando eu começo a me acostumar, e a gostar novamente, tenho que me quebrar e me recompor. E quando eu faço isso vem você de novo e fode com tudo. Me quebra!
- Cala a boca!
- Cala você. Escolhe as pessoas. Filtra. Sei lá... Vê quem vale a pena ou não.

Uma voz vinda de fora, com um tom rustico e nervoso quebrou de repente o clima da discussão entre o Cérebro e o Coração.

- Dá pra calar a boca aí dentro? Preciso me concentrar. Eu hein...


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SCARLET por Rafael Fava Beluzio.



Último dia 16, no restaurante Columbia, aconteceu em Carangola o lançamento, infelizmente pouco frequentado, do romance Scarlet, de Reynaldo Araújo. O carangolense nascido em 1992 se mudou pro Rio de Janeiro não faz muito tempo e divulgou o evento literário em redes sociais. De fácil leitura, as cerca de 300 páginas do livro contam a respeito de Oscar, um rapaz que está saindo do Ensino Médio e, aos poucos, vestindo a peruca loira e as roupas da fria Scarlet. Essa personalidade dupla conduz toda a narrativa de mais fala do que falo.

Os problemas vividos por Oscar – familiares, vocacionais, sexuais, emocionais, econômicos – ganham mais descrições do que os poucos momentos de homoerotismo. Como me disse Reynaldo Araújo em entrevista, ele recusa obras que exploram o sexo vulgar. Essa recusa é uma espécie de negação de seriados como Queer as folk e filmes, tal Bruna Surfistinha. Por títulos assim é possível ter em mente um pouco do contexto cultural da produção de Scarlet. Nela, pouco da literatura brasileira: talvez algo magro de Caio Fernando Abreu e quase nada do cânone em geral.

O que sobra no livro é uma forma mass cult de composição. Há nele certa intencionalidade guiada para a supressão do que poderia especificar. Scarlet tenta se universalizar e facilitar o seu consumo. O vocabulário é comum. Em nenhum momento é necessário ao leitor consultar o dicionário. As frases e os parágrafos são curtos. Os capítulos com poucas páginas. Há constante criação de tensões, cenas que gostam de causar, gerar espanto. Esses recursos formais dão fluidez ao texto. Fazem lembrar títulos que frequentam estantes pops.

O tempo da narrativa é também acessível a todos. Não há, por exemplo, menção a datas particulares. Os acontecimentos do livro pairam sob uma sombra temporal. O contexto é sim o contemporâneo, visto em contínuos usos de tecnologia pelos personagens. Além disso, referências a datas comemorativas existem, como natal e reveillon. Mas nada aconteceu em hora, dia, mês e ano específico.

E onde? O espaço também costuma ficar nublado. Não se sabem nomes de ruas, bairros, cidade. Seria Carangola? Suspeito que a trama se adeque bem a alguma cidade como Viçosa, mas não universitária. Pois se de um lado são mencionados problemas típicos do interior, por outro há referências a shoppings, cinema, boites gays.

Apesar de não se referir a Carangola e embora Reynaldo Araújo recuse o rótulo de literatura gay – ambas em prol da universalização ao modo mass cult – o romance toca em problemas da homossexualidade carangolense. Os rostos virados nas ruas, o preconceito constante nas escolas e os pais agressores compõem o universo ficcional de Scarlet e o real de Carangola. Essa mesma homofobia pode ter sido um dos fatores para o vazio dia de lançamento do livro.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ele era bonitinho.





Ele era bonitinho. Ele era bonitinho.

...até me escrever ANSIOSO com “C”.
...até eu descobrir que tem Lady Gaga como inspiração pessoal no facebook.
...até tirar foto com cd da FEMME FATALE.
...até usar lente colorida.
...até eu descobrir que depila a perna, barriga, peito.
...até usar calça colorida.
...até usar Calça Skinny.
...até assistir Crepúsculo.
...até ser fanático por filmes de vampiros.
...até colocar lente colorida.
...até usar cueca slip.
...até assistir GLEE.
...até cantarolar Britney Spears.
...até me encher o saco com mensagens o dia inteiro.
...até ser ruim de cama.
...até beijar mal.
...até ter um péssimo gosto musical.
...até não saber a diferença entre EXCEÇÃO E EXCESSÃO.
...até tingir o cabelo de loiro.
...até ter uma estrela tatuada no corpo.
...até falar molengo e ter voz anasalada.
...até eu descobrir que era sustentado pelos pais.
...até eu descobrir que é vagabundo.
...até descobrir que é atendente da Renner.
...até descobrir que trabalha em shopping.
...até não saber respeitar o meu tempo e espaço.
...até não entender que amor, e namoro são coisas que a gente encontra no meio do caminho.

Ele era bonitinho até me brochar de todas as formas possíveis.


domingo, 14 de outubro de 2012

ELIZABETHTOWN



"Quer mesmo ser grande? Então tenha a coragem de fracassar espetacularmente. Dê a volta por cima, e faça eles se perguntarem porque você ainda está sorrindo."

Orlando Bloom estrela esta comovente história, como Drew Baylor, um poderoso designer cuja a vida se torna completamente descontrolada em um dia fatídico, onde ele vê todo o seu projeto na criação de um tênis indo por água abaixo. Drew passou anos de sua vida se dedicando àquela criação, e ao sucesso da mesma, e do nada se depara com seu projeto, emprego, e sua vida em ruínas, um verdadeiro FIASCO, não um fracasso.

Drew se prepara para voltar para casa sem saber por onde começar, e decide colocar um ponto final, colocando todas suas coisas na rua, e montando uma bicicleta que em contrapartida ocasionaria na sua morte. Sim. Ele se suicidaria, porém o seu telefone toca, e o seu RINGTONE (que agora é o meu também) era I Can't Get Next to You (TheTemptations), ao atender, ele se depara com a sua irmã aos prantos notificando a morte de seu pai. Drew como era o homem da família tem de abandonar sua casa para ir buscar o corpo de seu pai em LOUISVILLE e trazer de volta para proceder com o funeral, já que sua mãe estava completamente abalada, e a irmã tinha que cuidar de seu bebê.

Indo para Elizabethtown em virtude da morte de seu pai, Drew conhece Claire (Personagem de Kirsten Dunst) que por sua vez tem um temperamento inabalavelmente positivo e decidiu ser a garota que vai guiar Drew de volta para casa e ensinar a ele o que significa viver e amar durante o caminho. Drew e Claire nos surpreende o filme inteiro nos arrancando gargalhadas e nos fazendo admirar os diálogos um tanto desconexos e repletos de fofura.

O filme é próprio para se ver com família, ou sozinho. Sim, sozinho. Ele é um tapa na sua cara e faz você pensar sobre vida, família, e todos os problemas. Um caso em especial que me fez gamar no filme, além de toda a história do Drew com a família, é o personagem Jessie que tem um filho de aparentemente seis anos de idade onde ele não consegue colocar limites. O filho apronta o tempo todo, e é mal criado, a família toda faz comentários sobre o comportamental do garotinho – o que inúmeras vezes me fez lembrar de meus tios em almoços, ou jantares de família e aquele primo mau criado que toda família tem.

Jessie é criticado pelo pai por não conseguir educar o filho, e ele por sua vez rebate dizendo que o garoto cresce onde astros do rock de diferentes naturalidades tem o mesmo respeito e importância – o que também é um a crítica ao preconceito. – O pai então diz ao filho: “Você não pode ser o melhor amigo de seu filho.” Jessie então dá um riso de canto de boca que nos faz entender que o pai nunca foi um bom pai com ele, e ele não gostaria que isso se repetisse com o seu filho.

Se você ainda está em dúvida de assistir o filme ou não, acho que não deveria permanecer em cima do muro. Corre, aluga, baixa, compra, mas assista. De preferência sozinho, quando você estiver na pior se possível. Esse filme te faz viajar, te faz pensar, te dá um UP na estima. Não posso deixar de comentar da OST (Trilha sonora), que simplesmente é perfeita.

Por que eu estou postando isso? Porque eu acho que esse filme simplesmente me lê, o personagem de Orlando Bloom sou eu. Sabe quando a gente se identifica com o filme? Então. Esse é o filme da minha vida. (risos) Assisti hoje pela milésima vez, e todas as vezes que assistir vou continuar chorando, me emocionando, rindo, e cada vez mais me colocando na pele de Drew. E sim, se me perguntarem hoje qual o meu filme favorito eu diria “ELIZABETHTOWN”.


Eu queria aprender a sorrir, mas descobri que leva tempo para extrair a felicidade da vida.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

SCARLET por alguns Leitores (PARTE I)



"Percebi que a Scarlet sofreu muito, e algumas vezes me imaginei no lugar dela, sofrendo por paixões adolescentes, imaturas. É sempre um aprendizado e uma terapia ler assuntos ou histórias que mexem no nosso coração e perturbam a lembrança. Opções ou orientações à parte: eu amei, tu amaste, ele amou, nós amamos, vós amastes e eles amaram. O verbo e a conjugação é a mesma, só muda a PESSOA."
Da leitora LÍVIA TOURINHO (RJ)

" É legal poder ir almoçar pensando no que Oscar poderia fazer em determinada situação, ou ir se deitar imaginando o que aconteceria quando ele descobrisse a verdade. Porque sim, é esse tipo de livro; gruda na sua cabeça como uma daquelas músicas contagiantes, mas que você não quer parar de cantarolar o dia todo."
Da leitora (também escritora) A.F. Nascimento (SP)


"Simplesmente incrível. Liberta, descontrai. Um mix de sensações incríveis, e até mesmo difíceis de descrever."
Da leitora ALINE ANTUNES. (RJ)


"Os personagens são muito bem pensados, a trama toda é muito bem pensada, a coisa da voltas e reviravoltas mas nada muito complexo, que você não entenda. Mas que te surpreende de uma forma que te entusiasma e te faz querer continuar no livro."
Do leitor PETHERSON RESENDE (MG)


"Todo o drama é incrível, o romance é aquela coisa que você se identifica, o personagem "nunca deixa de amar os antigos namorados" etcs e é mais ou menos assim na vida real. (...) é como se carregasse um sentimento, é como se o personagem realmente tivesse existido e passado por aquilo tudo. Isso me encanta em uma história."
Do leitor PETHERSON RESENDE. (MG)


"...Scarlet me fez fugir do meu mundo tedioso. Eu ja estava sensível, com o termino do livro então tive uma crise de choro e mil lagrimas "rasgaram o meu rosto". Eu quero um Arthur na minha vida!"
Da leitora FRAN BURLE MARX. (RJ)

"Estava faltando um romance como Scarlet, instigante nos prende até o final. Parabéns ao autor."
Do leitor RAPHAEL (SC)


"Foi-se a primeira folha, depois a segunda, quando me dei conta não estava trabalhando, não estava querendo dormir antes de terminá-lo. Uma dica aos novos leitores de Scarlet: Comecem bem cedo, num domingo em que não tenham nada para fazer; pois certamente irão esquecer das obrigações e mergulhar neste universo triste e ousado, e a todo o momento cheio de intensidade e detalhes que prendem nossos motivos e olhos e atenção por estarem sempre coincidindo com o cotidiano do mundo, e sinceramente, até mesmo com o nosso próprio e pessoal particular."
Do leitor ANDRÉ SGALBIERI (RJ)

"Agradeço a oportunidade de ler algo tão diferente, estava cansado dos finais felizes normais, nas mocinhas com os mocinhos normais, e da perspectiva igual. Cansei de ler livros que narravam personagens diferentes, em lugares diferentes, com início e meio e final iguais! Scarlet supera isso em vários âmbitos"
Do leitor ANDRÉ SGALBIERI (RJ)


"...A narrativa flui muito bem, sem "papas na língua", e com agilidade. Me peguei assimilando diversas situações vivenciadas no livro que até mesmo eu já tenha passado. (...) Daria um ótimo roteiro para o cinema no estilo "muita calma nessa hora GLBT"..."
Do Leitor THIAGO CROFT. (RJ)

"Há constante criação de tensões, cenas que gostam de causar, gerar espanto. Esses recursos formais dão fluidez ao texto. Fazem lembrar títulos que frequentam estantes pops."
Do leitor, cronista, e professor RAFAEL FAVA BELUZIO (MG)

"Os problemas vividos por Oscar – familiares, vocacionais, sexuais, emocionais, econômicos – ganham mais descrições do que os poucos momentos de homoerotismo. Como me disse Reynaldo Araújo em entrevista, ele recusa obras que exploram o sexo vulgar. Essa recusa é uma espécie de negação de seriados como Queer as folk e filmes, tal Bruna Surfistinha. Por títulos assim é possível ter em mente um pouco do contexto cultural da produção de Scarlet."
Do leitor, cronista, e professor RAFAEL FAVA BELUZIO (MG)

"...Que descrição perfeita, é possivel sentir a força de cada palavra, como se eu tivesse assistindo tudo de camarote"
do leitor EDSON ARAÚJO JUNIOR (RS)

"Quando terminei seu livro, no último capitulo "O último dia de SCARLET" o joguei na parede. Sério, mas aí lembrei que tinha Epílogo. (Risos) Me conta, como é que você faz com que as nossas opiniões a respeito dos personagens mudem de uma hora para outra?! Simplesmente me apaixonei por Arthur."
Do leitor CARLOS SANTOS (BA)

"Em muitos pontos pude ouvir alguns amigos meus. Parece um desabafo..e a leitura é leve e gostosa. To presa. A gente te ouve contando.. dá pra imaginar a respiração do personagem quando está nas ruas escuras voltando pra casa ou se pegando com o Arthur. Parei pra imaginar o Jonatas..."
Da Leitora JULIANA CASTRO (MG)

"Estou amando o livro, não consigo parar de ler! Sua escrita é envolvente, fascinante e sedutora, me sinto as vezes movidos pelos desejos do protagonista! Sua escrita me lembra muito as primeira publicações de Caio Fernando de Abreu! Parabéns!"
Do leitor ELIELSON RODRIGUES (MG)





Ter e Ser



Quero mensagens na madrugada.
Quero bom dia, boa tarde, boa noite.
Quero sentir uma vontade louca de envolvê-lo nos braços.
Quero sentir saudade, quero sentir amor, quero sentir medo.
Medo de perder, de ter demais, de chorar, de ser.

Quero dividir meu guarda roupas, minhas roupas, minha intimidade.
Quero partilhar minha alegria, contagiar te com meus sorrisos.
Quero ser você, quero que seja eu, quero que juntos sejamos um só.
Quero sexo, quero selvagem, hardcore, quero morrer em prazer.

Quero dividir a pipoca, a poltrona do cinema, quero dividir meu cobertor
Quero dividir a minha cama, meu travesseiro, te dar proteção.
Quero um namoro de portão, beijos que me tire o fôlego e falas que me façam suspirar de paixão
Quero pra ontem, quero pra hoje, te quero pra agora.

Quero tudo isso, mas quero também voltar acreditar, que nos tempos de hoje, é possível ter.  É possível ser.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

SCARLET por Luan G. Araújo


Luan Gabriel Araújo; 18 anos.
Rio De Janeiro - RJ
Estudante de Cinema.
Leitor assíduo, um grande escritor e amante de ficção.







É surpreendente você poder reconhecer traços tão marcantes de sua vida em palavras escritas por alguém que não faz ideia de que você sequer existe. É assombroso como personagens, meros esboços de palavras, podem ser tão semelhantes a pessoas de verdade, significantes, de carne e osso. É confortante poder se identificar com alguém, ainda que não seja real, e poder dizer “Eu te entendo”


Essa é a magia de Scarlet. Não é apenas uma história contada, é uma história vivida. Não é uma narrativa a qual você assiste de fora. Você mergulha, imerge. Não. Se afoga. Essa é a sensação de ler Scarlet. De estar se afogando, se fundindo à história.


Oscar vive. Nas páginas dessa fabulosa obra, sim, mas além disso. Oscar vive em nós. Oscar é o retrato dos nossos anseios, dos nossos desejos. Oscar é aquilo que ansiamos por ser e por deixar de ser. Ele nos reflete, com tamanha intensidade que parece que estamos nos olhando no espelho.
E o fio narrativo é estupendo, tal como a própria vida. No decorrer de suas páginas, Scarlet consegue nos levar do ápice da alegria ao mais profundo poço de tristeza. É uma ficção real. Os seus personagens nos atingem de uma maneira que nos deixa desnorteados. Você se sente coagido a tomar um partido, a torcer por alguém. E se torna impossível julgar as atitudes dos personagens, afinal de contas, você não faria o mesmo?



Com Scarlet ou Oscar, o autor consegue chegar ao íntimo do leitor sem dificuldade. Os questionamentos sobre o certo e o errado, a verdade e a mentira, a vingança e a justiça surgem em nossos pensamentos ates que possamos perceber, fazendo com que os dilemas da história se estendam muito após o fim do livro. A vontade de ter a mesma coragem, a mesma atitude ou simplesmente o mesmo namorado toma conta de nós, e por mais de uma vez nos sentimos tentados a ser parte integrante do mundo de Scarlet. O que, de certa forma, somos. Ainda que um pouco, mas somos.



Não gosto da definição e nem de livro de auto-ajuda, mas Scarlet consegue assumir esse cargo, ainda que indiretamente. Saber que existe alguém com problemas tão sólidos, tão reais, tão próximos é tão, mas tão ROXO! Sim, é libertador! Desconte em Oscar as suas mágoas, deixe que ele te domine com seus problemas, esqueça da sua vida por algumas horas. Ou se preferir reflita sobre ela! O livro consegue assumir esses dois papéis. Absorva de fato os questionamentos levantados sobre a hipocrisia, a frustração, a volta por cima. Use Scarlet para subir no salto, como a própria o fez. Afinal, “para renascer, é preciso morrer. Mesmo que de vez em quando.”



Independente de sua orientação sexual, Scarlet é uma trama que nos traz reflexões profundas sobre a vida, a sociedade e o mundo. Com o uso de uma linguagem fluida e próxima do leitor, o livro nos proporciona momentos magníficos de ódio e prazer. É um livro pra se ter a qualquer momento. É, por mim, mais do que recomendado. É necessário.






segunda-feira, 1 de outubro de 2012

De TED ao Tédio!



Há dois meses atrás você conheceu um cara. E ele te deu o melhor sexo da sua vida. A compatibilidade na cama foi a melhor impossível, ele te morde do jeito que você gosta, de aperta do jeito que você gosta, te pega do jeito que te faz morder os travesseiros. Te faz procurar em outros corpos o que você só irá encontrar nele. É. Ele te faz literalmente gozar de prazer.

Você acorda no dia seguinte dá bom dia pro mundo, sorri pro porteiro, dá boa tarde pro piloto da lotação. Consegue chegar até vinte minutos antes do seu horário no trabalho. Afinal, você está motivado. No dia seguinte vocês trocam mensagens, combinam de se ver, ele te leva pro cinema, vocês assistem desenho animado, e você acha tudo aquilo uma fofisse.

Ele morre de rir feito um crianção enquanto você chora por não ter ido assistir o drama misturado com suspense – seu gênero favorito da sessão das nove. Ele te aperta a cada risada, te dá beijo, e volta com o olhar para a tela de cinema. Aflito e atento à cada detalhe do filme, ele quase nem nota que você está alí clamando por ele. Foi uma das noites mais divertidas que você teve desde o namoro turbulento o qual saira meses atrás, então você pensa que sua vida enfim está entrando no eixo. Aceitando o fato de que pode estar prestes a entrar em outro relacionamento, ou talvez não, gama no cara, pensa nele o tempo todo, e tenta inúmeras vezes sair com o talzinho.

Ele some, não te liga mais, e quando você manda mensagens ele diz para marcarem algo, e sempre surge um imprevisto (Seja dele ou seu). Você enfim, cansa de dar murro em ponto de faca. Deixa o ser humano de lado e toca sua vida com as pessoas mais erradas da face da terra chorando o melhor sexo da sua vida, e buscando tê-lo novamente. Daí num dia desses qualquer você se esbarra com ele na rua, uma surpresa, ambos surpresos, três meses depois da surra na cama que ele te deu.

Você sorri chama pelo nome dele, ele te reconhece, te abraça. E eu estou falando daquele abraço apertado, sabe?! Você pede o número dele de novo, afinal, com esse seu jeito maluco de deletar pessoas você acabou deletando o número dele também. Essa é a hora que ele te convida para uma visita no final do dia, e você fica igual a um maluco com aquilo na cabeça, seus hormônios gritam, clamam por sexo o tempo, se derretem por ele.
Você passa a tarde toda pensando em fazer o confronto de vocês valer a pena e prender o cara de vez. Ou talvez você só queira sexo mesmo. Não sei. Ele diz pra você se arrumar que ele vai te pegar. Você toma um banho, fica gostoso, cheiroso, e faz planos de quais posições fará, como tirará a roupa, e quais os locais transará com o tal cara. Passa um bom tempo na frente do espelho até se certificar que está pronto e não está faltando nada no seu visual, e manda uma mensagem pra ele dizendo que está tudo ok e que ele já pode bater na porta do seu castelo, afinal você está uma princesa. (risos)

O cara não hesita em te responder logo em seguida: “Já estou com nossas entradas” Você faz uma cara de “What the fuck man?” e ele conclui “Vamos assistir TED no cinema hoje”. É a hora que você sente toda a sua vida desmoronar, seu castelo desaba, sua coroa cai, e você grita por dentro, jorra totalmente o tesão na parede. TED? TED? TEEEEEEEEEEED? Você repete pra si desesperadamente. Sério que ele te chamou pra ver o filme do ursinho enquanto tudo que você queria era transar com ele feito um animal?! Essa é a hora que você desliga o celular e finge com a cara mais lavada do mundo que a sua bateria acabou. Não sabendo ele que o tesão também.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Me deixa entrar?


É como se eu estivesse andando agora, trilhando exatamente o caminho que me levaria à tua porta. Com meu coração retalhado procurando por algo mais. Sem saber se você ainda vê alguma coisa além de mim, além de nós.

Eu tento, e muitas vezes é bem difícil, é complicado. É uma batalha onde não tenho um exército capaz de vencer, e sei que serei vencido, e mais uma vez me encontrarei jogado ao chão colhendo tudo o que restou.

Eu tento acreditar. Juro. Mas é difícil, é complicado, é repetitivo. Como agora. Seria loucura, mas me sinto batendo na sua porta com uma bagagem e o peito munidos de esperanças, sem ninguém para acreditar, sem ninguém para apostar no que temos.

Você abre a porta, e tudo que eu vejo é você me olhando nos olhos, e o que eu tenho para te dizer, todas as palavras, todos os sentimentos, todo o amor que eu tinha para demonstrar acaba me caindo melhor se ficasse para outro dia.

Me deixa entrar. Tá frio aqui fora. Tá frio sem você. Tá chato.
Me deixa entrar, seu sorriso e seus olhos preenchem todo o meu dia.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Onde encontrar SCARLET?



Além de SCARLET estar disponível para vendas no Site Oficial do autor www.reynaldoaraujo.com, ele também pode ser encontrado no site da Editora Metanoia www.metanoiaeditora.com, e em algumas livrarias também nas cidades do Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, e Joinville - Santa Catarina. 
Em São Paulo, o livro poderá ser encontrado nas livrarias Cultura.

Conheça o Livro: http://facebook.com/LivroScarlet



RIO DE JANEIRO

Livraria Bolivar
Rua Bolivar, 42 - Loja A
Cobacana - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 3208-3600
CEP 22061-020

Livraria Blooks
Praia de Botafogo, 316
Botafogo - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2559-8776
CEP 22250-040

Livraria do Museu da República
Rua do Catete, 153 - Museu da República
Catete - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2556-5828
CEP 22220-000


Livraria do Café da Gávea
Rua Marques de São Vicente, 52
Gávea - Rio de Janeiro
Telefone (21) 2249-3558

Livraria da república - EdUERJ
Rua São francisco xavier, 524
Macaranã - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2334-0720/2334-0721
CEP 22250-040

Livraria Nobel
Av. das Américas, 500 - Shopping Downtow
Barra da Tijuca - Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2493-6301


MINAS GERAIS

Livraria Leitura
Av. Cristóvão Colombo 167
Savassi - Belo Horizonte
Telefone (31) 3287-5206
CEP 30140-140

Livraria Café com Verso
Praça Monsenhor Dutra, 246
Centro - Gonçalves
Telefone: (35) 3654-1241


BRASÍLIA


Livraria Café com Letras

SCLS 203 SUL - Bloco C - Loja 19
Asa Sul - Distrito Federal
Telefone: (61) 3322-4070/3322-5070

SANTA CATARINA


Livaria Curitiba

Shopping Mueller Joinville (3º, loja 182)
Rua Visconde de Taunat, 235.
Centro - Joinville
Telefone (47) 3745-2600
CEP: 89201-420


Assista ao PROMO do Livro:




sábado, 15 de setembro de 2012

SCARLET por A.F. Nascimento


“O que é nosso sempre volta. Apesar de...”

A frase de efeito do livro já consegue te fazer imaginar alguns caminhos diferentes que a história pode seguir; e seja lá onde for que sua mente te leve, o resultado final de Scarlet dificilmente decepcionará.

O que move o leitor aqui são, principalmente, as personagens. A começar por Oscar, que logo se percebe ser do tipo que poderá tanto causar pena quanto raiva. Os sofrimentos dele comovem, mas as burradas também não passam despercebidas. Daí para seus pais, Otávio, Arthur, Henrique e todos os outros é um passo, pois depois de começar a ler você provavelmente vai viver aquele típico momento em que olha para o relógio e percebe que já devia ter ido dormir há muito tempo.

Apesar de poder ser uma leitura muito rápida, pela forma como te prende, acho que vale mais a pena se forçar a parar de vez em quando. Assim você absorve mais os acontecimentos, revira mais as teorias pessoais, grita mentalmente mais vezes com algumas personagens. É legal poder ir almoçar pensando no que Oscar poderia fazer em determinada situação, ou ir se deitar imaginando o que aconteceria quando ele descobrisse a verdade. Porque sim, é esse tipo de livro; gruda na sua cabeça como uma daquelas músicas contagiantes, mas que você não quer parar de cantarolar o dia todo.

O que me leva a um outro ponto: as analogias! Gostei muito de todas, desde as que me fizeram rir até as que me fizeram divagar.

A escrita também é boa, rápida e direta — apesar de eu às vezes achá-la rápida demais. Os capítulos são curtos e sempre deixam um gosto de “quero mais”, e é aí que está a dificuldade em parar.

Se não fossem por algumas cenas, eu poderia dizer que a história é consideravelmente leve, muitas vezes engraçada e gostosa até mesmo nos momentos tristes. Ela tem, porém, a pitada certa de drama para que você não a esqueça tão cedo. Enganei-me ao pensar que não arregalaria um pouco os olhos até o final do livro; se foi por choque, tensão ou emoção, não preciso dizer. Spoiler é feio e eu não gosto.

Por fim, se já não está óbvio, concluo que Scarlet é uma ótima leitura e uma companhia no mínimo interessante. Ah, também não posso esquecer da arte da capa; além de linda, foi chamativa o bastante para ganhar mais duas leitoras durante o tempo em que eu andava com o livro para cima e para baixo; e provavelmente ganhará mais quantos o verem na minha estante. Infelizmente para estes, eu sou ciumenta pra caramba com livros que eu gosto; mas a vontade de ler já vai estar plantada em cada mente que se pegar perguntando: “Afinal, quem é Scarlet?”



Sobre a Leitora:
Conheço pouco dela, mas o suficiente para admirá-la por também ter lançado um livro. Ariane F. Nascimento também é escritora, e tem um livro publicado, a Paulista é fascinada por estórias vampirescas, e seu livro Beijos de Sangue tem como ponto focal este tema. Ainda não pude ter a oportunidade de ler, mas espero que logo possa me deliciar com este livro. 

Enfim, sucesso para todos nós sempre!


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Por 72 horas



Este texto vai em especial para dois amigos. Dois amigos, que hoje vieram com o mesmo assunto ao falar comigo. Ex namorados, ex amores, pós relacionamento. Ou nem tanto. Não vou citar nomes, mas vocês saberão quando lerem, ou você saberá que é pra você também quando ler e se identificar com a situação que por mais que você tente, acontece com você no momento mais improvável.

Um me reclama de um “namorico” que aconteceu com o espaço temporal de duas semanas, ou três, não me recordo. O outro me choraminga um relacionamento que terminou em Abril e virou amizade. Dois casos completamente diferentes, um achou que era amor, mas amor não acontece em quinze dias. E o outro é amor (ou também não), pois só isso é capaz de nos prender a uma pessoa por tanto tempo (tendo em vista que estamos em Setembro).

Eu me pergunto quando é que acontece isso. Quando é que acontece de nos prendermos ao passado tanto o suficiente para ficar remoendo uma coisa que se passou? Ao ponto de não nos libertarmos e nos darmos o direito de tentar algo novo. A vida é feita de mudanças, todo mundo deveria saber que nada é pra sempre, todo mundo deveria curtir cada momento, e viver intensamente o mesmo, pois amanhã isso pode nem existir. O amanhã é uma dádiva, o amanhã é um mistério, é futuro, um futuro que tá sempre presente.

A gente se pega por vários momentos se perguntando o que acontecerá amanhã. Será que ele vai me amar? Será que ele vai ficar comigo? Quanto tempo será que ficaremos juntos? Quando ele vai me dizer “eu te amo”? Quando vou conseguir aquilo? Quando vou conseguir isso? Contudo, acho que criamos expectativas nesse misto de imaginação e acabamos fantasiando algo que pode nem acontecer. Com todas essas perguntas, a gente começa a esperar por algo que pode chegar a nem vir.

Por que se prender ao passado? Por que se prender a uma pessoa que te deixou? Por quê? É algo que te faz mal, te faz sofrer, te machuca internamente, faz você ficar aflito. Não teria de ser simples, não teria de ser apenas descartável? Mas não, nem sempre o coração às vezes é. A gente se machuca, chora, procura, quebra a cara, e depois repete tudo de novo com a mesma intensidade ou não.

A vida é tão bela, e às vezes tão brutal, cada dia é uma luta, uma jornada. A gente nunca sabe o que nos espera ao final. Com quem deitaremos, em quem pensaremos, ou por quem rezaremos. É esse mistério que torna o viver interessante, tanta coisa legal, tanta coisa para desvendar, tanta gente para se encontrar, tantos amigos, tantas recordações, que a gente se perde. A gente se prende logo em algo que nos machuca. É alguma realização pessoal sofrer por amor? Se for, por favor me diga. Pois só mesmo um masoquista para gostar de um tremendo narcisista.

Eu tenho uma maneira maluca de gostar e desgostar. Quando gosto, eu sou intenso, gosto muito, sinto muita falta, amo de verdade. Mas quando vejo que estou sofrendo, ou posso vir a sofrer, eu piso no freio, recuo, dou ré, paro o movimento. É uma freada bruta que faz a gente voar, caso não estejamos de cinto de segurança. E eu na maioria das vezes sempre estou.

 Apago os contatos, apago qualquer vestígio que me leve à pessoa, me permito à coisas novas, crio coisas novas, para não lembrar, encho minha cabeça de amigos, saídas, bebidas. Isso tudo para não pensar na falta. Eu gostaria que as pessoas fossem assim, sabe? Quem dirá que vale a pena sofrer por amor? Chorar por amor? Se prender por amor?

É bom amar, entrar todos os dias no perfil daquela pessoa e ver o que ela postou, com quem ela saiu, ligar, dar bom dia, sei lá, se fazer presente. É bom, mas é tão melhor, é tão “MAIS BÃO” amar a gente. Amar a si. Eu nunca levei a sério, para ser bem franco, aquela história de cuidar do jardim para que as borboletas venham. Mas com o passar do tempo a gente vê que é verdade. Não adianta fazer sinal de fogo no céu para que elas te encontrem, não adianta rezar para que aconteça, não adianta fazer aquele ritual mais macabro com a mesma finalidade Quando a gente menos espera encontra aquele olhar no meio da multidão. Aquele olhar perdido que de alguma forma, dentre tantos olhares, te encontra também. E você reconhece.

A gente sempre sabe quando é pra ser, e quando não é pra ser. Não venham me dizer que não. A gente sabe quando vale a pena colocar intensidade, ou não. Então será que não vale a pena ser racional nessas situações, ou pelo menos tentar? Aí a pessoa vira e te diz: Mas não dá, eu não consigo esquecê-lo, sinto falta dele, tô mau, tô isso, tô aquilo. Dentre vários outras frases prontas. (risos)

A gente tem um filtro. Sabia? A gente só não sabe usar, ou só usa para o que não serve. Você não filtra aquilo que te faz mal no dia a dia? Você não filtra as amizades ruins, os lugares ruins? Então, tem que aprender a filtrar pessoas no coração também. Tipo, tá te machucando, tá te fazendo mau, tá te fazendo chorar, deleta. Move on.

Mova-se da cadeira, tente, abrace o mundo, cuide de você. Voltando à frase do “cuidando do jardim...” cuide do seu. Faça as borboletas pousarem em você, e quando acontecer, vá com tranquilidade, não as espante, e tenha em mente: Borboletas têm asas, borboletas voam, voltam, pousam em outros lugares, já pousaram, irão pousar. Você é o presente. Você é o agora. É o que está acontecendo naquele momento. Então intensifique, mas tenha em mente que borboletas vivem somente Setenta e duas horas.
Ou é pelo menos o que dizem por aí...

Então é isso. Encontre a sua borboleta, cuide do seu jardim, e intensifique esse pouso nem que seja por 72 horas. E lembre-se: Elas ainda não estão extintas.

Portanto...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Beija eu?!



- Não quero te machucar!
- Relaxa. Não sou menininha de dezessete anos que vê príncipe encantado em qualquer canto.
- Eu sou sapo né?!
- Não te beijei ainda pra saber!

(Silêncio)

- Me beija?
- Por quê?
- Quero saber se eu sou seu príncipe!
- Mas e se você não for?
- Se não for, não foi.
- E se for?
- Se for, foi.

(Barulho de beijo)

- E agora?
- Continuo o mesmo.
- É.
- Virei principe pra você?
- Não.
- Ainda sou sapo?
- Talvez.
- O que a gente faz agora?
- Essa é a hora que eu corro, o relógio aponta meia noite, e deixo meu sapatinho de cristal para trás. Você me procura, me acha, e a gente vive felizes para sempre. (risos)
- Só tem um problema...
- Qual?
- Te procurei por todos esses anos. Não precisei de sapatinho pra chegar até você. Te achei. Você me beijou. E eu não virei principe. Mas se você me der a chance, e quiser, eu posso ser seu mundo!
- Eu quero. E agora, o que fazemos?
- Essa é a hora que a gente faz o "felizes para sempre" dar certo, sobretudo acontecer.

... E foi o que eles fizeram. Ou pelo menos tentaram. Ou tentarão. Tanto faz. Eu não sei.

domingo, 26 de agosto de 2012

Meu Trem!



Uma mochila com algumas mudas de roupas. Guarda roupas com todos meus casacos e calças enfileirados. Minha cômoda intacta. Cama arrumadinha. Quarto com cheirinho de bom ar. Aquele cheirinho de casa fechada. Nos portas retratos fotos de quando eu morava ali. Fotos dos meus dezesseis, dezessete anos. E é tão estranho ver que à cada vez que volto ali me sinto um pouco mais velho ao ver minha imagem refletida no espelho de dois metros por um metro e meio da parede do meu quarto. Fotos de alguns amigos, muito deles agora, se tornaram apenas conhecidos. Outros conhecidos que se tornaram grandes amigos. E aqueles que realmente valem a pena. Outros não. 

Deito na minha cama, e automaticamente me vem todo um flashback de todas as coisas que já fiz ali. Com quem eu me deitei. Quem se deitou. O que se passou por ali. Olho para todos os cantos do meu quarto com um ar de nostalgia, e sinto saudade, choro, me reviro entre os lençóis, viajo, relembro, penso em voltar. Lembro das minhas tardes de finais de semanas entre amigos. Os mesmos que me faziam companhia ao fazer um bolo de chocolate, ao tomar aquele vinho barato de supermercado assistindo filme de comédia. 

Sinto falta daquelas risadas escandalosas da madrugada. “Ri mais baixo” dizia meu pai socando a porta do meu quarto. E eu ainda o sinto ali. “Vem almoçar, menino. Computador não enche barriga” me dizia ele querendo que eu me desconectasse do mundo virtual. Eu revirava os olhos, e achava aquilo um saco. Mas meu Deus, como eu sinto falta. Daria tudo, tudo mesmo, para ter somente mais um momento daquele. Mais um dia de risadas com meus velhos e bons amigos, mais um dia de reclamações cansativas de meu pai, mais um dia com dezessete. Queria mais um dia de inocência, mais um dia sem preocupação. 

A gente cresce. Foi o que eu disse pra minha melhor amiga ontem por telefone. Nos conhecemos nos tempos de colégio. Eu tinha quatorze anos quando ela com toda intimidade do mundo veio se apresentar a mim na cantina do meu novo colégio. Foi amor, amizade, tudo, a primeira vista. Hoje estamos crescidos, e choramos calados àqueles velhos tempos, os quais não tínhamos preocupações com nada, éramos crianças e achávamos que sofríamos, quanta futilidade. Depois de um bom tempo sem contato, ontem, ela me ligou, e ficamos horas no telefone, até me atrasei para um encontro. Falamos da vida. Me abri. Falei do que eu passei fora de casa. Que é o que todo mundo passa. E falei como a gente tem que ter paciência para que as boas coisas fluam conosco. Ela me falou dela, o que certamente não foi diferente, falou do namorado, e eu falei das minhas experiências infrutíferas. 

Às vezes me acho tão apegado ao passado, que não consigo aceitar a ideia de que a vida é uma constante mudança, me lembro de uma brincadeira que uma professora da Quinta Série do ensino fundamental fez comigo (quando ainda aluno). Ela pediu para desenharmos um trem, e colocar nossos amigos, famílias, etc... dentro de um vagão. Assim que fizemos, ela suspirou e disse: Essa é a vida. É um trem. Algumas pessoas vão descer nas estações antes da sua, outras vão abandonar a viagem por medo, outras terão de fazer, e terão aquelas (como sua família) que estarão com você até o final. Existirá também aquelas árduas despedidas, como também existirá aquele adeus que vai te cortar pela garganta e que você terá de fazer. Queria eu com os meus onze anos de idade entender a vida como ela exatamente é pra não ter achado aquele exercício idiota quando me passado. 

Sou apegado aos detalhes. Me apego nos detalhes, e me desapego nos mesmos. Sou totalmente detalhista. E me lembro das coisas mínimas, aquelas que jamais ninguém lembraria, ou seria muito improvável que não. Dou comida ao meu peixinho, e me lembro de como eu enchia o meu quarto de animaizinhos para suprir a minha carência. Eram hamsters, tartarugas, peixes, calopsitas, tudo. Até mesmo o meu coelhinho. Eu sinto tanta falta disso. E me assusta me olhar no espelho agora, e me ver grande, ver que o garoto daquelas fotos ali não existe mais, ou existe e eu não sei onde foi parar. Ver que minha carinha de novo já era, e que aquele corte adolescente que me deixava com carinha fofa já não me cai mais bem. Aquele tênis skatista faz com que eu me pareça ridículo. E  aquele cinto é da época da minha avó. 

Nessa passagem me tranco ao meu quarto durante o final de semana inteiro. Não me importa o mundo lá fora, não me interessa o que está acontecendo naquela velha cidade, eu não me importo. Eu quero reviver todas aquelas coisas, eu quero poder me lembrar, quero poder voltar, quero poder ter tudo aquilo de novo. A inocência, meu pai, meus velhos amigos, aquelas festas, aqueles picnics no meio do mato com muita bebedeira. Quero ser Seventeen Again. É isso. Eu quero. 

Domingo, dez e meia da noite, horário de voltar para o Rio de Janeiro. Comprei o último horário, pois queria ficar até o último segundo no meu quarto. Uma alça da mochila no ombro, revisto com os olhos para ver se me esqueci de alguma coisa, confiro novamente, e sempre esqueço, mas nunca percebo. Minha mãe na porta com aquele olhar “Volta, meu filho” e eu com aquela cara de que “Eu preciso ir”. Olho tudo ao redor novamente, revivo as fotos, revivo os momentos, revivo as pessoas. Apago a luz, fecho a porta, e respiro fundo. Aceito a ideia de que passou. Tudo passou. É um vagão de trem. Repito em voz baixa. Algumas desceram nas estações anteriores. Outras permanecem comigo. Algumas eu precisei fazer descer. E eu, preciso chegar ao ponto final. 

Minha mãe me dá um beijo na testa, me abraça forte, e diz: "Quando chegar me liga!" Saio de casa, e me dói. Me dói não ter mais o abraço do meu Pai, mas me conforta saber que de alguma forma, se existe vida for daqui, saber que ele está olhando por mim agora. Entro no carro. Vejo minha casa se afastando pelo retrovisor. Saio daquele bairro relembrando minhas brincadeiras de crianças. Aceno pra velha senhora que me tem como "neto", e sigo meu caminho. "Eu quero ter você de volta. Lá em casa. Mas fica. Não vou falar mais nada. Não vou fazer você voltar. Meu filho, fica. Porque o mundo é seu!" Disse meu pai antes de falecer.

domingo, 19 de agosto de 2012

Acontece nas melhores famílias



Tá. Você tá saindo com aquele carinha que é um fofo com você. Te dá carinho, te liga pra dar bom dia, boa noite, boa tarde, boa tudo. Se preocupa com você, te cobre a noite para não sentir frio, desliga o ar condicionado do carro, e transpira feito um corno só porque você odeia aquele frio artificial.

Senta para lanchar naquele trailer mais furreco do mundo, para comer lanche de rua, só porque você se amarra, e acha muito mais saboroso que qualquer BOB’s e McDonalds da vida. Te chama de gatinho, e te lembra o tempo todo o quão foda você é, e o quão interessante é seu jeito maluco. Tudo isso gera expectativas, você já se imagina subindo no altar com o talzinho, e cria vários sonhozinhos na sua cabeça maluquinha. (Tudo no diminutivo mesmo!)

Daí num desses dias enquanto ele te leva em casa, você com toda sua ingenuidade decide retribuir, e abre a maldita boca – que deveria ter ficado fechada – e solta a maldita palavra “Estou curtindo nossos momentos juntos”. E ele com aquele riso de canalha filho da puta, coça a cabeça, aperta os olhinhos para te olhar e te avisa “Só não apaixona, tá, gatinho?” E você sente aquele frio que te rasga do cu até a ponta do último fio do seu cabelo. Respira fundo, e balança a cabeça concordando. Afinal, ele se lembrou de te avisar tarde demais.

É nessas horas que você chora a falta de coragem de socar a cara do desgraçado!



sábado, 18 de agosto de 2012

Fading...



O silêncio era atordoante. As ruas pelas quais passávamos pareciam nunca ter fim. O tempo estava nublado. Meio frio. E as ruas pouco movimentadas. Era tarde de sábado. Três e meia, relógio apontava, para ser exato. O perfume era o mesmo que me encantou semanas atrás, o sorriso tinha o mesmo som e intensidade apaixonante. O olhar de conquistador barato permanecia, mas o joguinho de conquistas havia acabado. A química se desvaneceu.

Meu olhar fixava em todos os cantos da rua através da janela do carro. Meu olhar passava por tudo. Menos por ele. Eu sabia que era o fim, e que minutos depois eu desceria dalí sem tê-lo comigo nas minhas noites chatas de dias de semana. Eu não queria olhar para o lado, eu não queria olhar para o abismo, não queria me tocar que era o fim.

Eu estava sentindo aquelas borboletas no estômago novamente, e era tão gostoso, era tão bom. Havia tanto tempo que não sentia aquela sensação gostosa de “É hoje que eu vou vê-lo!” ou aquela saudade de tudo aquilo que eu não havia vivido. Era diferente. Ele dizia que eu era diferente, mas eu já havia ouvido isso tantas vezes antes, que nem perdia meu tempo em acreditar nessa história de novo. Das duas uma: Ou eu era realmente diferente, ou todos os caras são tão previsíveis ao ponto de falar isso a cada primeiro, segundo, ou terceiro (que seja) encontro.

Mais uma vez eu havia colocado intensidade em uma viagem que não tinha combustível, nem estrada suficiente para chegar ao destino certo. Mais uma vez expus meus sentimentos, minha forma de pensar, mais uma vez me despi sem pudor para nada. Me lembro como se fosse hoje, aquela barba desenhada, sobrancelha grossa, e olhar de quem te devora, e te envolve. Ainda guardo a imagem daquele cara debruçado na janela do motel, fumando, e me admirando enquanto estava deitado encantado com o meu reflexo naquele grande espelho de teto. A luz era pouca no ambiente. Ainda me lembro de tudo.

Meus pensamentos foram interrompidos por um “Precisamos conversar”. Eu, ainda perdido, tentando me situar, aterrissar, me virei, mas mais uma vez a tentativa de mergulhar em seus olhos foi sem sucesso. Concordei com a cabeça, e lancei meu olhar rumo ao nada, ele então me deixou claro em poucas palavras que não acreditava em adaptação, e que era papo para boi dormir, e isso significaria que estávamos dando murros em pontas de facas, e dando cabeçada onde não teria futuro. Estávamos insistindo demais em nós.

Na verdade, eu engoli a seco aquela história, e aquilo me desceu rasgando por dentro, porque no fundo, bem lá no fundo, eu sabia que era verdade. Mas quando a gente “gosta”, a gente vê  o lado bom até onde não tem. Temos mania de nos torturar, mesmo que seja somente entusiasmo.

Eu tentei, juro que eu tentei fazê-lo desistir de toda aquela ideia maluca, eu tentei dar a volta naquela conversa sem pé e nem cabeça, fazê-lo acreditar que maluco era ele de não achar que poderíamos sim ter algo. Mas essa minha mania de orgulho, misturada com uma vontade de me fechar, me recuar, me frear, não deixou com que as palavras saíssem.

Senti meus olhos queimarem. Não, não é possível. Pensei. Era vontade de chorar? Como assim? Por quê? Era só um casinho, não tinha envolvimento, ou pelo menos não era para ter. Mas teve. O silêncio mais uma vez causou estrondo entre nós. Ele brincava com uma bala halls sabor melancia na boca, entre os dentes, e com a mão na cabeça todo despojado no banco motorista.

Ele tentou se explicar, e resumir tudo que havia acontecido, em “Espero que permaneça amizade”. Revirei meus olhos, e lembrei me de tudo aquilo que havia escrito a respeito de amizade pós tentativa frustrada de viver uma história romântica, e tudo o que eu penso a respeito. Fixei meu olhar, e pisquei disfarçando a vontade enorme de me derramar, agarrá-lo, e dizer: Você está louco. Fica comigo. Eu te quero, cara. É isso. Mas não, falei sem rodeios “Quero ir embora”.

Ele então deu partida no carro. Permanecemos em silêncio. Pedi para que me deixasse na esquina. Ele não aceitou, e me levou mais uma vez até o portão da minha casa. O que havia se tornado um costume. Até ao mesmo portão que ele me esperava minutos, e minutos, sempre que combinávamos de sair. O que se faz nessas horas? Beija, se abraça, se diz coisas legais? Ainda me sinto perdido nessas paradas. Ele me deu um aperto de mão, sua mão estava quente, ou a minha fria, sei lá. Mas foi um aperto. Ele me olhou e disse “Se cuida!”.

Assim como meus personagens de estórias, me encontrei com um sorriso de canto de boca, aquele sorriso desapontado de quem segura um choro. Sai, fechei a porta. E como sempre, olhei para o banco para ver se tinha me esquecido de algo. E como todas as despedidas, ele me esperou abrir o portão, e fechá-lo, para dar partida no carro, mas dessa vez ele ficou esperando até que me perdesse de vista. E sem olhar para trás, eu segui. Eu queria ter olhado, mas a minha vontade de que permanecesse a primeira impressão que tinha à seu respeito era maior.

E a primeira impressão que tive dele parado naquele portão foi na segunda vez que nos encontramos. Que ao sair do carro, ele abaixou o vidro, chamou em voz alta: Rey... Vem cá! Eu fui, e ele disse “Adorei te ver hoje, nem que por dez minutinhos” O meu riso foi tão feliz. E era assim que queria me lembrar sempre de você. Você parado no meu portão me esperando entrar, e piscando os olhos pra mim em seguida. Mas infelizmente, ou felizmente, o que ficou intacto foi o nosso fracasso. E mais uma vez uma desistência, e uma entrega de mão beijada.



(des)conversando


Bom, hoje eu quero jogar conversa fora. Primeiro, deixa eu atualizar vocês que me leem:
Em Fevereiro, terminei um relacionamento meio turbulento, e que durou um bom tempo, não preciso ser tão exato pra falar da minha vida, e nem disso agora. Quem me acompanha desde os meus dezoito anos já sabe do que estou falando. Terminei porque o carinha foi um babaca, e me fez entender que eu não era tão bom o suficiente para ele, ao ponto de ele chegar a procurar outras pessoas para satisfação sexual, e até mesmo pessoal.

Enfim, terminei. E me livrei do encosto dedicando todo o meu tempo livre ao meu lado profissional, depois veio a morte do meu pai, que faleceu um mês depois. Nisso  a minha vida deu uma virada de cabeça pra baixo, e quem diria não é?! Às vezes são nas curvas que descobrimos o nosso rumo certo, são nas encruzilhadas que nos decidimos por qual caminho seguir. So ironic!

Após essas duas mudanças radicais, eu, Reynaldo Araújo, me tornei uma pessoa completamente diferente. Digo; eu gosto de mim agora. Bem mais do que eu gostava antes. Hoje não dou tanta ideia a superficialidade, e não me preocupo tanto em me adequar ao padrão da sociedade, ou de outras pessoas. Estou me fudendo para tudo isso, é claro que com uma certa postura.

Ao começar a trabalhar para o lançamento do meu livro SCARLET (Quem quiser adquirir, pode comprar diretamente comigo www.reynaldoaraujo.com) fiquei novamente sem tempo, até tentei conhecer outras pessoas, mas não era o momento certo. A etapa de lançamento do meu livro foi total momento individualista meu. Eu não precisava/queria ninguém comigo naquele momento, não fazia questão. Claro que deixei isso claro para os carinhas, os quais tentei me relacionar. É no plural. Porém, nenhum deles tiveram tanta paciência para levar um relacionamento comigo.

Pois é. Confesso que precisa um pouco de jogo de cintura. E é por isso que eu estou escrevendo agora, às sete e quarenta e dois da manhã de um sábado (Dezoito de Agosto).

Recentemente me apareceu um cara legal, nada de putaria, casualidade, e derivados no início. Ele é simplesmente legal, do jeito que é, ele me faz sorrir, me diverte, e sem contar que faz o meu tipo de cara. Mas eu tenho uma mania imensurável de destruir tudo em sete dias.

Estamos bem, porém, quando a companhia é boa para mim, eu simplesmente dispenso o sexo. Sexo nunca foi necessidade pra mim, pelo contrário, sempre o vi como um complemento de uma relação. Sexo é gostoso, é. AMO sexo, amo foder, gozar, amo putaria, mas sou tão travado em certos aspectos. Não consigo falar palavrão na cama, não consigo ser putão na cama, não consigo. E olha que eu tento, e como tento. Mas sempre me acho tão forçado, sabe?! E aí me preocupo com isso, e quando me preocupo meu pau amolece.

Bom, é um vocabulário XULO, mas é preciso neste texto, que talvez seja um texto desnecessário, ou até mesmo avulso, muitos não vão gostar e vão dizer que eu já escrevi melhores, e blá, blá, blá...
 Mas sinceramente, eu acho que nunca me expus tanto no meu blog, como agora. Eu sinto falta de um carinha legal, que te liga pra contar do dia, se interessa pelo seu, e diz o quanto você é foda o tempo todo.

Sabe? Sinto falta de sentar na frente da tv agarradinho e curtir um seriado, ou desenho animado, ou qualquer coisa do tipo. Eu sinto falta de companhia, sou carente de carinho, confesso. E esse meu jeitão todo ácido, e às vezes arrogante, e “durão” no que falo não deixa com que as pessoas percebam que isso é só uma forma de me proteger desse mundo. Li uma vez um texto de uma amiga o qual ela fez um trocadilho com um caramujo, e eu me encaixo no perfil. Duro por fora, impenetrável, mas mole por dentro. Sensível.

Eu não me interesso por caras malhados, com abdômens trincados, braçudos, ratos de academia, que enchem os olhos de qualquer um. Nunca me “casaria” com  um cara assim, mas meu Deus, como eu os invejo. Um dia chego lá. Mas por enquanto me quero assim, da forma que sou. Travado na cama, sem falar palavrões, um menino. Embora transpareça ser safado. Mas é que assim eu só dou liberdade/oportunidade de ficar quem realmente estiver afim de mim.

E acredite, quem não tá, some logo na segunda semana. Então, por favor, todas as minhas manias idiotas, e meu jeito sarcástico e irônico, minha neurose com “bermuda ou calça?” é uma forma um tanto maluca de fazer que você desista de mim, mas por dentro estou gritando: Não desista nunca, por favor!



terça-feira, 7 de agosto de 2012

V=D/T (Fórmula da velocidade)



- Devagar!
- Eu estou devagar!
- Não está!
- Estou!
- Desacelera.
- Estou tranquilo. Relaxa!
- Não. Desacelera. Estou com medo.
- Estou aqui. Não precisa!
- Mas eu estou. Desacelera!
- Tudo bem. Por você eu faço.

(Silêncio)

- Mais devagar!
- Mais?
- É. Mais!
- Não posso continuar desse jeito.
- Claro que pode, vai com calma!
- Nunca chegaremos a lugar nenhum do seu jeito.
- Nunca chegaremos a lugar nenhum DO SEU JEITO!
- Não grita comigo!
- Não grita, você! Sempre faz o que quer. Seu egoísta!
- Não sou egoísta!
- DESACELERA!
- Não.
- Pisa no freio! Quero descer.
- Não vou deixar.
- Pisa!
- Não. Te quero aqui!
- Me deixa SAIR!!!

(Som de freada brusca em uma estrada seca. Aquele barulho de pneu estrondoso)

- Ai meu Deus!
- O que foi?
- Acho que atropelamos!
- Quem?
- O amor!

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