Pages

Seguidores do Rey

domingo, 29 de julho de 2012

Casos e seus acasos.

Sexta-feira, quatro horas da manhã. Um frio quase insuportável, três ônibus na rodoviária, e muitas pessoas aflitas ao descer cumprimentando seus entes familiares. É assim que funciona em uma cidade pequena. Quando um familiar chega de longe, eles são logo bem recebidos pela família, e logo em seguida vão para suas casas, e saem pelas ruas da cidade para ver os velhos amigos, dos bons, e velhos tempos.

Enquanto eu percorria esse trajeto. A rua que me levava até a minha casa, percebi que toda a cidade que eu conheci até os meus dezoito anos de idade, estava completamente diferente. Ela não era mais a mesma cidade que eu deixei para trás ao completar dezenove. A rua agora era asfaltada, com linhas amarelas de BR partindo as duas mãos. O chafariz estava lindo, nunca havia o visto ligado, lojas restauradas, e um belo calçadão na pequena grande rua do Centro.

Ô Carangola, eu tenho tantas lembranças de ti. Tantas, mas tantas, que me vem junto com uma vontade de querer viver tudo de novo, e nunca sair, jamais, dos teus braços acolhedores. Mas cidade pequena nos cria pro mundo, não é mesmo!? Assim como os estudantes, universitários assíduos, ao completar maior idade vi todos meus amigos juntarem suas coisas, e comemorando a voo para o mundo, quis logo fazer igual. Quis ir buscar o que era meu, provar o gostinho do mundo, crescer. E quando a gente sai, a gente se toca que crescer nem sempre é ser independente.

Domingo, dez horas da noite, essa é a minha hora de dar partida. Roupas na mochila, livreto na cama, agasalho na cintura, e almofada em cima da bolsa para não me esquecer e viajar desconfortável na volta pra casa. É, já estou eu novamente chamando outro lar de casa. A vida é assim. E eu quis tanto escrever esse texto sem pé e nem cabeça, pois fiquei martelando tudo nos mínimos detalhes ao voltar para casa de uma festa local.

A menina que era o perigo da cidade, agora namora o garoto que espancava a ex namorada. O casal que era o mais turbulento, e popular do colégio se separaram e ambos agora estão com um relacionamento estável com outros. A garota que ia pro colégio comigo, casou-se, separou-se e agora é a mais nova vadia da cidade. Minha melhor amiga, inteligente, universitária, resumiu toda nossa amizade e história em um simples “Oi, tudo bem?”. A garota completamente idiota, estranha, e sem graça que se tornou uma grande amiga minha com o tempo, e eu descobri que ela não é nada daquilo que eu julgava ser, é uma das mais fiéis e leais amigas que tenho no meu exército. O garoto o qual já dei uns beijos, e era gordo e feio, agora é malhado, gostoso, e bonito. A menina sem graça da quinta série, ontem bebeu comigo, nós damos as mãos e fizemos corrente da alegria em um show de Rock (Depois de dançar bastante pagode). O grupo GLBT que andava junto e ficava reunido nas festas, hoje, são um em cada canto, cada um com uma nova história, e estilo diferente, todos que nunca foram interessantes e bacanas (lê-se boa companhias) para mim, agora são as melhores pessoas do mundo.

A gente cresce, o mundo gira, o tempo corre. E as lembranças se desvanecem com tudo. Grandes amizades escorrem pelas mãos, e as novas brotam como flores de primavera. E eu tenho que aprender a me desprender do passado, do meu quarto, da minha cama, dos meus velhos amigos (que me deixaram) eu preciso. E eu penso: Também mudei, será que eles me enxergam assim também? Sei lá. Sei lá. Só sei que eu continuo voltando pra casa, farto de tudo, ando longe, ando pensativo, ando preso, ando solto, ando por aí. Continuo me sentindo fora, deslocado, desplugado. Continuo me sentindo um peixe. Um peixe fora. Fora do meu aquário. Que se não fosse meu, eu....


quinta-feira, 19 de julho de 2012

DEZ coisas que não dão certo no primeiro encontro.


Decidi listar aqui dez coisas que dão errado no famoso primeiro encontro. Sendo ele, aquelas saídas com o carinha que você vem conversando há dias no facebook, etc, ou também aquele carinha que você conhece perdido na night. Recentemente, tenho presenciado amigos/amigas que vem sofrendo com essa casualidade do dia a dia. "Ai, o fulano não me ligou no dia seguinte" "Ai, o fulano é isso, é aquilo" e várias outras coisas que não vale a pena ressaltar. Não quero ser o sábio, o fodão, especialista em homens. Longe de mim, até porque sou solteiro, se fosse isso tudo, com certeza já estaria casado, de preferência com um cara estilo Brandon Flowers, Adam Levine, Matt White, Chris Carrabba ( Ficou curioso, bonitinho(a)?! JOGA NO GOOGLE).

Conclusão?! Decidi montar esse texto, sem pé e nem cabeça, para ajudar (espero que não acabe atrapalhando) as pessoas indecisas que ficam meio perdidas sem saber como agir, ressaltando que é apenas a minha opinião, não quer dizer que todos esses termos tem veracidade, ou que vão acontecer em 100% dos casos. NÃO, isso tudo é apenas o que me faz correr, fugir, sumir, e não ligar no dia seguinte. E também o que faz todos os meus amigos arrancarem a cabeça, no domingo pós balada. 


1. Criar expectativas.
Saia com o cara sem criar expectativas, e sem pensar no que vai acontecer amanhã. Se ele vai te ligar no dia seguinte, te mandar mensagem de bom dia, tanto faz. Se ele mandar, ótimo. Você conseguiu (fisgou), se não; foda-se. Tudo bem, vida normal, continue respirando. Afinal, você não perdeu nada. Caso a vontade seja MAIOR que a sua estima, e confiança de "não preciso dele pra viver", mande UMA (somente UMA) mensagem pro 'boyz', se ele responder, deixe o papo fluir. Se não responder, deixe de lado. NÃO PROCURE, pelo amor de Deus, não procure. Agora, se você é dos que gosta de sofrer; LIGUE, PROCURE, BATA NA PORTA DA CASA DELE, FAÇA O CARALHO A 4.

2. Fazer a linha "Apaixonado".
A carência é algo que nos coloca a mercê de qualquer coisa. A gente procura ex namorados, insistindo em histórias acabadas, etc, etc, etc... Blaá, blaá, blá. Tá! Você conhece o cara em uma noite, e já imagina que ele é o amor da sua vida, se apaixona, mela o cara a noite toda, e ele não te liga no dia seguinte. A culpa foi sua. Simples!


3. Falar de ex namorados.
Falar de ex namorados, apresentar o passado, as experiências, e tudo mais, é legal, e essencial em um relacionamento, ou quando estamos conhecendo uma pessoa. Mas no primeiro, segundo, ou terceiro encontro que seja, DEFINITIVAMENTE NÃO ROLA. O passado é uma coisa, que quanto mais a gente mexe, mais fode com a gente no presente, futuro, ou seja lá qual merda que for. FODE! Entenderam? Então deixem as experiências infrutíferas de lado, e quando o carinha perguntar, tentem sair de uma forma meiga do assunto, ou apenas respondam "Acabou. Não deu certo." (Ponto)





4. Dançar Lady Gaga, Britney, e derivados.
Deixo o GIF ao lado falar por mim.





5. Conhecer todos os amigos.
Conhecer os amigos é fundamental. São os amigos que fazem a cabeça do carinha para que ele grude na gente. Ao conhecer os amigos, temos que fazer a comunicação fluir, não falar demais, como também não ficar quieto demais. Prestar atenção em tudo ao redor também é uma boa, principalmente no mundo gay, os amigos sempre comentam, e fazem piadinhas, que muitas das vezes são de mau gosto. Então, nem pensar em conhecer todos os amigos de primeira, vá devagar, aos poucos, um a um. É melhor!


6. Ir para uma balada.
Balada com o namorado, ou aspirante a namorado, ou seja lá o que for, é uma coisa que já está ERRADO na essência. Como é que você leva o seu futuro namorado, noivo, marido de primeira para uma BALADA?
É levar lanchinho para aniversário, francamente. Nada de bagunça. Bares, cinemas, parques, lugares tranquilos, é uma boa. Nem cinema seria legal, na verdade é até bom assistir a um filme agarradinho, e tudo mais, mas é tão mais gostoso quando a conversa flui.

7. Fazer a "ursinho pooh".
Essa é a melhor parte. Na hora da pegação, com bebida na cabeça, música envolvente, etc, sempre rola mãozinhas bobas. E aí, deixando rolar, as mãos já estão dentro da calça, vocês já estão em um canto, e... (pimba) o que era para depois do casamento, se tornou uma sobremesa comida antes do almoço. Resumindo, vocês devem estar me perguntando O POR QUÊ DO TITULO, na verdade nem eu sei explicar (risos) foi um trocadilho, com o desenho animado, e o "ir com sede demais ao pote". Não deixa a mão descer, simples!!!

8. Bancar a mais verdadeira, sincera, e melhor pessoa do mundo.
Mesmo que você seja (o que não vem ao caso agora), você não precisa torturar o carinha, esfregando isso na cara dele o tempo todo. Ser seguro de si, é uma coisa. Agora bancar a sinceridade 24h do dia já é sacanagem. Nós mentimos, nem que seja cinco vezes por dias. Mentimos até mesmo em coisas pequenas sem perceber, isso faz de nós, mentirosos. Então não vá com o papo sou sincero e odeio mentira, porque é papo pra boi dorm..Z.z.Z.z.z.Z.z....

9. Beber até passar mal.
É uma delícia beber até não aguentar mais, girar a cabeça até ver tudo rodar, dançar até o chão com efeito de alcool, e tudo mais. MAAAAS ENTRE AMIGOS. Nem pensar se estiver saindo com um cara. Imagina fazer a Aretuza (Os fortes entendem) acompanhado do seu "principe".




10. Fazer sexo.
A Casualidade nunca foi um dos meus fortes. Sempre descartei o sexo casual (Mentira!), na hora a tentação é tão grande que quando o cara te leva pra casa dele você nem percebe que tá se enfiando na boca do lobo. Terão sexo, provavelmente a melhor noite de suas vidas, ou talvez não, ou talvez O MELHOR SEXO da sua vida, e você será descartado no dia seguinte (Ou talvez não). É um risco, essa coisa de sexo casual. Eu penso que o nosso consciente por mais que nós dizemos que não, ele tem mania de rotular sim tudo e todos, e se você começou de putaria com o cara, ele só te servirá para isso, agora se você formula uma história de amor, ta aí, o amor da sua vida.




Boa sorte!!!

Qualquer outra sugestão, e crítica(principalmente) favor, contatem-me!

Beijos, seus lindos!

'SCARLET' por André Sgalbieri

"Vou começar do começo, e por ser redundante não irei repetir! A capa... Impecável, esclarecida, e muito muito chamativa... Em alguns momentos que estive lendo no metrô, ou no ônibus a caminho do trabalho reparei que as pessoas torciam as faces, e viravam o pescoço para decifrar o título daquele púrpura em degradê com pink que eu folheava tão devotamente em mãos... Sim, o poder de Scarlet começa no começo, na capa, na apresentação, na primeira impressão, na que se apresenta e na que a gente cria dela ao desenrolar do livro.


Foi-se a primeira folha, depois a segunda, quando me dei conta não estava trabalhando, não estava querendo dormir antes de terminá-lo. Uma dica aos novos leitores de Scarlet: Comecem bem cedo, num domingo em que não tenham nada para fazer; pois certamente irão esquecer das obrigações e mergulhar neste universo triste e ousado, e a todo o momento cheio de intensidade e detalhes que prendem nossos motivos e olhos e atenção por estarem sempre coincidindo com o cotidiano do mundo, e sinceramente, até mesmo com o nosso próprio e pessoal particular.


O livro é um misto de magia e choque de realidade, tende a momentos de choro e outros de riso, e não cansa, não repete, é direto, sem perder detalhes! Não se trata de um clássico literário e sim de uma releitura de como contar, já que o linguajar e o tema abordado são extremamente atuais, nada melhor do que uma linguagem atual, uma postura atual e mentes atualizadas a fim de conceber bem o propósito desta leitura.
Agradeço a oportunidade de ler algo tão diferente, estava cansado dos finais felizes normais, nas mocinhas com os mocinhos normais, e da perspectiva igual. Cansei de ler livros que narravam personagens diferentes, em lugares diferentes, com início e meio e final iguais! Scarlet supera isso em vários âmbitos! Nunca soube bem ao certo onde é que a estória toda acontecera, ou no período temporal que isso ocorreu... é como uma permissão implícita de que eu pudesse ter vivido no mesmo tempo da estória, ou ela acontecendo no mesmo tempo em que eu vivo... E vice-versa.

Não fui o único a cair indefeso nas tramas de Scarlet, choquei-me ao encontrar mamãe ainda deitada quando cheguei do trabalho, com o pijama do dia anterior, com aquela expressão de ontem e apreensiva me pedindo que não a atrapalhasse... Só recebi meu beijo de boa noite depois que ela terminou de ler e vir criticar o “Eduardo” (personagem) e todas as suas façanhas... Obrigado por me causar uma noite sem comida e colo de mãe, caro autor!

Por isso tornou-se meu livro de cabeceira; primeiro porque o rosa contrasta super bem com a decoração sóbria do meu quarto... E segundo... Porque sempre que ler aquele nome, aquele título... Vou poder lembrar que a vida é uma eterna luta... Ora estamos na frente de batalha, guerreando e enfrentado tudo com a “cara” e os peitos abertos... Ora estaremos reclusos, observando... Apenas existindo... Não por escolha, mas por propósitos! Adoro saber que preconceito é cada vez mais algo que cai nos conceitos sociais... A diferença é que torna o feio feio e o belo belo, um precisa do outro, necessariamente, para existir. Cada um com seus caprichos, mas todos com verdadeira importância e individualidade."



André Sgalbieri, 19 anos, estudante, bloggeiro, e amigo, me surpreendeu com uma resenha do meu livro SCARLET que mereceu ser postada aqui.

 Conheci André pelas redes sociais, foi amizade a primeira vista, juntamos nossos dons com a escrita e tentamos criar um blog temático direcionado ao público gay no ano passado. Infelizmente, depois da equipe toda montada, o que faltou foi tempo para colocar o blog VIBE G. no ar.

Em seguida comecei a escrever SCARLET e todo o meu tempo vago que eu teria para postar as coisas no nosso "jornal" semanal seria preenchido. André, e eu, fomos nos tornando amigos de uma forma inesperada pela internet, nosso maior contato sempre foi/é através das tecnologias, uma vez ou outra o encontro em festas, onde dançamos juntos, rimos, e tudo mais. Mas o que mais me encantou nesse garoto, não foi seus olhos azuis, a barba bem feita, e a boca sensual (Embora é o principal, essencial, em um homem - ao meu ver) o que me encantou nele foi a forma como ele apareceu no lançamento do livro, tão doce, simpático, lindo como sempre, ele me fez assiná-lo acompanhado de uma marquinha de Batom. Pois é.

Sgalbieri, tem uma escrita doce, a qual desabafa em seu blog (http://guiis.blogspot.com.br/) assinando sempre Sonhardorzinho.

"Banco de couro, painel automático, teto solar, e o filho da puta ainda tinha olho azul"

Trecho do livro SCARLET que conquistou esse leitor assíduo que me deu este belo presente que vale a pena ser lido, relido, e tudo de novo.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Assim.



Você me enviou uma foto do seu pescoço. Como quer que eu responda? Tudo bem, eu respondo. Olha, podemos dormir da maneira que você quiser. Com seus braços em tornos dos meus, como ontem. Podemos dormir no carro também, não tem problema. Não reclamo. Prometo!

"Como vai" você disse. "Me desliguei em um gancho errado, cansado de bater na madeira, é assim que eu vou indo" Eu quis responder. Mas me afundo em seus olhos, dois poços de lamas escuros, invendáveis, envolventes, não sei definir com precisão, um sorriso avassalador, fascinante, que me mata. De saudade, vontade, de tudo.

Com o coração do avesso, braços cansados, garganta inflamada, aqui estou eu. O único soldado em combate nessa guerra, e eu sou um idiota quando ainda torço por nós dois. E esse é mais um dos meus poemas, textos, e crônicas sobre nós, que você com o seu jeitão de 'homem gelo' ignora sempre. E eu também ando me esquecendo que eles existem.

Estou mantendo uma contagem, é como uma bomba relógio. As lembranças estão se desvanecendo enquanto chove lá fora, e o estrondo aqui dentro há preenchimento, eu sei. Você é o mesmo truque de sempre, e eu continuo caindo nesse jogo de matar ou morrer, o qual eu sempre morro. Ando me perdendo recentemente pelas ruas, ando longe, ando por aí, minha cabeça lá em você, lá atrás. E você anda por aí, anda em si, anda seguindo em frente, anda bem.

Como pode ver mais uma vez, escondida novamente em minhas palavras, mais uma carta que lhe escrevo e não lhe envio. E é assim que essa história termina, é assim.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Ana e Pedro





Era noite. O céu estava meio azul marinho, uma noite linda, e intensa. De onde estavam conseguiam avistar o céu nitidamente pela janela do apartamento. Ana, deitada ao peitoral de Pedro avistava as estrelas em silêncio, enquanto ele acariciava seus cabelos.

- No que está pensando? – Perguntou Ana.
- Em nada. – Sorriu Pedro. – E você?
- Em nada também.

Ambos ficaram em silêncio curtindo o som do quarto, o qual fazia a trilha sonora de fundo. Ana se levantou e debruçou na janela do quarto e ficou olhando avulsa pela rua, que deserta estava. Pedro se levantou lentamente e foi andando até a garota, abraçando-a por trás, lhe deu um beijo na nuca.

- Você está distante. – Comentou Pedro.
- Por que acha isso?
- Sei lá. Apenas acho.
- Eu fico só pensando.
- Em...
- Em o que fazer amanhã quando você partir.
- Ana, vamos mesmo falar disso?
- Pedro, nunca sei o que fazer quando o assunto é você! – Alterou Ana se virando para o garoto, com o qual estava se relacionando há um mês.
- Como assim?
- Eu não sei o que te falar, eu não sei como continuar, eu não sei o que fazer para não assustar você.
- Vá com calma, garota.
- Não me peça calma! Tudo que eu menos quero, e consigo, é ter calma.
- Eu sou complicado, Ana.
- Eu sei disso. Eu sou impaciente, nós nunca combinaríamos.
- Eu gosto de uma outra garota. – Disse Pedro.
Ana ficou com o olhar fixo na feição que Pedro fez ao dizer que era outra a dona de seu coração. Ana tirou os braços de Pedro de cima dela, e sentou na cama, escorou os cotovelos no joelho e olhou para o garoto.
- Qual foi? Eu já havia te dito antes. – Tentou Pedro justificar.
- Eu achei que eu tinha sido o suficiente.
- Pra...? – Pedro gostava que Ana completasse suas frases, por isso sempre começa a pergunta com a justificativa que ela daria.
- Pra te bastar.

Pedro se aproximou de Ana, se ajoelhou se aos seus pés no tapete de seu quarto.

- Eu estou curtindo a minha noite com você. Não podemos falar disso em uma outra hora?
- Não precisa justificar. Somente seja breve.  – Disse Ana olhando nos olhos de Pedro. – Você tem certeza que isso. – Gesticulou mostrando o quarto ao redor. – é o que você quer?

Pedro ficou em silêncio.

- Seu silêncio me machuca, cara, não faz isso. – Lamentou Ana se levantando e deixando Pedro ajoelhado ao chão.
- Ana, por favor...- Pediu Pedro.
- Eu preciso de água. – Comentou Ana, que abriu a porta e foi em direção a cozinha.

Ana foi andando até o fim do corredor, passou a mão no lado direito da cozinha, escura, e acendeu as luzes. Abriu a geladeira, ficou pensando no que queria, e teve uma sensação medonha de quando se esquece o que quer. Ana então fechou a geladeira, e tentou voltar pelo corredor andando de costas – sua mãe uma vez havia dito que quando se esquece o que iria fazer era só voltar andando pelo caminho que havia feito que logo se recordaria. Ana se lembrou que precisava sim de algo, voltou até o quarto e Pedro estava juntando suas coisas e colocando na mochila.

- O que você está fazendo? – Perguntou Ana imóvel da porta.
- Me desculpe. Isso é um erro. – Lamentou Pedro ao vestir a camisa que estava na cabeceira da cama.
- Eu sou um erro para você? – Perguntou Ana.
- Na verdade, eu sim. – Pedro colocou a mochila no ombro direito e foi andando até a garota.
- Vamos consertar as coisas, por favor. – Pediu Ana.
- Ana, está tarde pra mim. Eu preciso ir. – Respondeu Pedro, como quem queria mudar de assunto.
- Se você sair por aquela porta estará me mostrando que você na verdade nunca acreditou em nós.

Pedro olhou Ana por alguns segundos, deu um beijo na testa da garota, e disse:

- Se cuida!

Pedro então foi até o final do corredor, abriu a porta da sala, e saiu. Ana ficou imóvel ao corredor vendo toda aquela cena, não sabia o que fazer, como fazer, ela não sabia o que queria numa hora daquelas. O homem que ela julgava que seria o melhor pra ela, acabara de sair por aquela porta. Ana então correu pelo corredor, abriu sua imensa janela e avistou Pedro saindo do prédio e abrindo a porta do carro. Ana abriu a boca para chamar por seu nome, mas não conseguiu, o som  não saiu, ao ver que o farol se acendeu e Pedro havia girado a chave da ignição, Ana então gritou:

- Pedro!

Pedro abriu a janela do carro e olhou para cima.

- Da próxima vê se tira esse boné pra falar comigo, seu moleque! – Gritou Ana.
- Sua maluca! – Resmungou Pedro que logo em seguida deu partida no carro.

“Ainda aprendo a separar sexo, de amor...” Pensou Ana fechando a janela, não só do seu quarto, como também do seu coração. 

terça-feira, 3 de julho de 2012

SCARLET



SCARLET_www.reynaldoaraujo.com.pdf - 4shared.com - document sharing - download

Faça o DOWNLOAD dos dois primeiros capítulos do meu livro SCARLET, e não deixe de se deliciar curtindo a página no facebook http://facebook.com/LivroScarlet e não deixe de acompanhar e saber mais em www.reynaldoaraujo.com!!!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...