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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Saudades.



A gente cresce e deixa tanta coisa pra trás. Amigos, amores, manias, costumes, rotina, é tanto blá, blá, blá... Mas a família a gente nunca deixa, nunca desapega apesar de tantos pesares é ela quem nos cria pro mundo, ela quem nos dá colo, suporte, crescimento. Eu nunca teria saído de casa, até porque nunca precisei, sempre tive de tudo. TUDO (em Caps Lock) mas se eu pudesse voltar esse tempo todo que eu estive fora de casa, eu faria tudo de novo, talvez com a mesma intensidade, ou talvez não. Sei lá. Dá saudade, é triste, mas é tão bom. A gente deixa tanta, mas tanta futilidade de lado que quando a gente olha pra trás a gente ri, e às vezes até de desespero. Cresci tanto fora, mas tanto que eu tenho orgulho de mim. Estou contente, feliz não, mas REALIZADO por inteiro. 


Sinto falta do meu espaço, de onde eu cresci, chorei, me tranquei, sobretudo dei gargalhadas intensas que hoje me deixa saudades.


Quero!



Eu quero beijos sinceros, 
Promessas cumpridas, 
Verdades ditas, 
Mentiras sinceras. 



Quero hoje, 
Quero ontem, 
Quero agora. 

Quero ser pra você,
Quero ser pra mim, 
Quero ser nós. 



Quero ser... é. 
Eu quero!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sujeira



Adriana limpava a porta de casa todos os dias. Toda manhã ela varria não só a sua porta, mas também a de seus vizinhos para manter sua rua limpa. Renato todos os dias aguardava a sua empregada Dolores chegar para que pudesse dar partida para o trabalho. Todos os dias como um hábito muito feio Renato passava o dedo em toda sua prataria para ver se tinha algum vestígio de poeira, olhava os cantos para ver se havia alguma sujeira agarrada, ou olhava embaixo da cama para se certificar que o palito que ele havia jogado de propósito no dia anterior ainda estava lá. Renato era totalmente desconfiado com tudo. “Bom dia, senhor Renato.” Bom dia, Dolores. Renato pegou suas chaves e ao sair, enfiou a mão no bolso para guarda-las e achou alguns papéis, que certamente eram lixo do dia anterior.

Lixeira Longe. Pensou Renato. Nada de caminhar até lá. Renato olhou para todos os lados da rua, e jogou os papéis na rua tão limpa que Adriana havia deixado. Apertou o passo e com vergonha ficou ao lembrar das câmeras de segurança. Ao passar, acenou para Caroline que também se preparava para sair para o trabalho, ela mexia descontroladamente no celular para apagar o histórico de conversação do dia anterior que teve com outros garotos, Carolina esperava por seu namorado que vinha busca-la todos os dias para irem juntos ao trabalho.

O mesmo fazia Marcos da esquina antes de chegar na casa da namorada, ele se certificava se o carro estava “ok”, se tinha algum vestígio de mulher da noite anterior, já que mulherengo era. Ao parar no portão e chamar por Caroline, Marcos acenou para Adriana que estendia suas roupas em seu quintal. Adriana se abaixou para pegar uma camisa e notou que seu novo amaciante tinha manchado a tão favorita camisa de seu marido, com medo, Adriana jogou a camisa de molho em água sanitária e lembrou que se misturasse com Alcool ela teria um resultado melhor, lembrou também que não possuía álcool em sua casa.

Pegou sua bolsa, a chave do carro, e se deparou com Dolores saindo às correrias da casa de Renato. Dolores um dia sim e não via seu amante que morava há três quadras dali, e todo dia sim e não, ela chegava na casa de Renato às seis da tarde como de costume. Dolores só ia embora após Renato chegar de seu trabalho. Cinco e meia da tarde, todos os dias sim e não, Dolores corria para a casa onde trabalhava e como não teve tempo para fazer a limpeza diária, uma vassoura rápida na casa passava,  colocando toda a sujeira embaixo do tapete. Renato que era tão desconfiado olhava por todos os cantos procurando por vestígio de sujeira, só não se lembrava de procurar pelo lugar mais óbvio de todos: O tapete de pele de Urso que havia em sua sala.

Sujeira. Todos nós fazemos o tempo todo, e jogamos da melhor maneira possível tentando escondê-las, pois sabemos que se descoberta causará um dano. Na maioria das vezes fazemos as coisas pensando em suas consequências, ou não. Se são boas ou não, não importa. O que nós não sabemos é que o que mais tememos em esconder, um dia, de alguma forma ou outra, vem à tona. E não é papo pra dormir não. Quer saber o final dessa história? Vamos lá...

Renato justo em um dia sim e não decidiu mudar a mobília arrastou o móvel com a televisão na sala que tirou o tapete do lugar e ele descobriu que toda a poeira da casaa estava concentrada ali. Adriana continuou varrendo a porta de seus vizinhos para manter toda sua rua limpa, mas sua casa era uma desordem, e uma tremenda briga teve com seu marido quando ele descobriu que pela milésima vez ela havia manchado mais uma camisa de trabalho. Dolores foi mandada embora, largada pelo marido e renegada pelo amante – que também tinha família. Quanto à Caroline e Marcos, ele descobriu que ela tinha casos extra curriculares, e ela descobriu que ele era um tremendo canalha e a enganava com diversas mulheres mundanas todos os dias. Esses dois, por último, nunca mais se viram.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Cérebro e o Coração





- Hey... Você está dormindo?
- Não. Estou aqui, sonhando acordado.
- Ainda com o fulaninho?
- É.
- Você está me machucando com isso. Dá pra deixar de lado?
- Mas eu não consigo parar de pensar.
- Consegue. Só você tentar.
- Não. Eu não tenho escolha.

O Coração riu com sarcasmo.

- Quem não tem escolha sou eu. Você está me machucando.
- Cala a boca.
- Acha que se ele nos quisesse eu estaria machucado agora?
- Cala a boca, me deixa pensar!
- Não. Isso tem que parar!
- Não consigo.
- Estou aos pedaços. Vou morrer.
- Para de drama!
- É sério. Tá doendo. Dói muito. É horrível.
- Para de drama, por favor.

(Silêncio)

- Egoísta.
- Não sou egoísta.
- É egoísta sim. Só pensa em você, e eu aqui sempre me fodo. Eu sou o único que dói.Eu sou o único que chora, eu sou o único que quebra, eu sou o único. SEMPRE!
- Não é verdade.
- É sim. É sempre assim, quando eu começo a me acostumar, e a gostar novamente, tenho que me quebrar e me recompor. E quando eu faço isso vem você de novo e fode com tudo. Me quebra!
- Cala a boca!
- Cala você. Escolhe as pessoas. Filtra. Sei lá... Vê quem vale a pena ou não.

Uma voz vinda de fora, com um tom rustico e nervoso quebrou de repente o clima da discussão entre o Cérebro e o Coração.

- Dá pra calar a boca aí dentro? Preciso me concentrar. Eu hein...


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