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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Me deixa entrar?


É como se eu estivesse andando agora, trilhando exatamente o caminho que me levaria à tua porta. Com meu coração retalhado procurando por algo mais. Sem saber se você ainda vê alguma coisa além de mim, além de nós.

Eu tento, e muitas vezes é bem difícil, é complicado. É uma batalha onde não tenho um exército capaz de vencer, e sei que serei vencido, e mais uma vez me encontrarei jogado ao chão colhendo tudo o que restou.

Eu tento acreditar. Juro. Mas é difícil, é complicado, é repetitivo. Como agora. Seria loucura, mas me sinto batendo na sua porta com uma bagagem e o peito munidos de esperanças, sem ninguém para acreditar, sem ninguém para apostar no que temos.

Você abre a porta, e tudo que eu vejo é você me olhando nos olhos, e o que eu tenho para te dizer, todas as palavras, todos os sentimentos, todo o amor que eu tinha para demonstrar acaba me caindo melhor se ficasse para outro dia.

Me deixa entrar. Tá frio aqui fora. Tá frio sem você. Tá chato.
Me deixa entrar, seu sorriso e seus olhos preenchem todo o meu dia.


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Beija eu?!



- Não quero te machucar!
- Relaxa. Não sou menininha de dezessete anos que vê príncipe encantado em qualquer canto.
- Eu sou sapo né?!
- Não te beijei ainda pra saber!

(Silêncio)

- Me beija?
- Por quê?
- Quero saber se eu sou seu príncipe!
- Mas e se você não for?
- Se não for, não foi.
- E se for?
- Se for, foi.

(Barulho de beijo)

- E agora?
- Continuo o mesmo.
- É.
- Virei principe pra você?
- Não.
- Ainda sou sapo?
- Talvez.
- O que a gente faz agora?
- Essa é a hora que eu corro, o relógio aponta meia noite, e deixo meu sapatinho de cristal para trás. Você me procura, me acha, e a gente vive felizes para sempre. (risos)
- Só tem um problema...
- Qual?
- Te procurei por todos esses anos. Não precisei de sapatinho pra chegar até você. Te achei. Você me beijou. E eu não virei principe. Mas se você me der a chance, e quiser, eu posso ser seu mundo!
- Eu quero. E agora, o que fazemos?
- Essa é a hora que a gente faz o "felizes para sempre" dar certo, sobretudo acontecer.

... E foi o que eles fizeram. Ou pelo menos tentaram. Ou tentarão. Tanto faz. Eu não sei.

domingo, 26 de agosto de 2012

Meu Trem!



Uma mochila com algumas mudas de roupas. Guarda roupas com todos meus casacos e calças enfileirados. Minha cômoda intacta. Cama arrumadinha. Quarto com cheirinho de bom ar. Aquele cheirinho de casa fechada. Nos portas retratos fotos de quando eu morava ali. Fotos dos meus dezesseis, dezessete anos. E é tão estranho ver que à cada vez que volto ali me sinto um pouco mais velho ao ver minha imagem refletida no espelho de dois metros por um metro e meio da parede do meu quarto. Fotos de alguns amigos, muito deles agora, se tornaram apenas conhecidos. Outros conhecidos que se tornaram grandes amigos. E aqueles que realmente valem a pena. Outros não. 

Deito na minha cama, e automaticamente me vem todo um flashback de todas as coisas que já fiz ali. Com quem eu me deitei. Quem se deitou. O que se passou por ali. Olho para todos os cantos do meu quarto com um ar de nostalgia, e sinto saudade, choro, me reviro entre os lençóis, viajo, relembro, penso em voltar. Lembro das minhas tardes de finais de semanas entre amigos. Os mesmos que me faziam companhia ao fazer um bolo de chocolate, ao tomar aquele vinho barato de supermercado assistindo filme de comédia. 

Sinto falta daquelas risadas escandalosas da madrugada. “Ri mais baixo” dizia meu pai socando a porta do meu quarto. E eu ainda o sinto ali. “Vem almoçar, menino. Computador não enche barriga” me dizia ele querendo que eu me desconectasse do mundo virtual. Eu revirava os olhos, e achava aquilo um saco. Mas meu Deus, como eu sinto falta. Daria tudo, tudo mesmo, para ter somente mais um momento daquele. Mais um dia de risadas com meus velhos e bons amigos, mais um dia de reclamações cansativas de meu pai, mais um dia com dezessete. Queria mais um dia de inocência, mais um dia sem preocupação. 

A gente cresce. Foi o que eu disse pra minha melhor amiga ontem por telefone. Nos conhecemos nos tempos de colégio. Eu tinha quatorze anos quando ela com toda intimidade do mundo veio se apresentar a mim na cantina do meu novo colégio. Foi amor, amizade, tudo, a primeira vista. Hoje estamos crescidos, e choramos calados àqueles velhos tempos, os quais não tínhamos preocupações com nada, éramos crianças e achávamos que sofríamos, quanta futilidade. Depois de um bom tempo sem contato, ontem, ela me ligou, e ficamos horas no telefone, até me atrasei para um encontro. Falamos da vida. Me abri. Falei do que eu passei fora de casa. Que é o que todo mundo passa. E falei como a gente tem que ter paciência para que as boas coisas fluam conosco. Ela me falou dela, o que certamente não foi diferente, falou do namorado, e eu falei das minhas experiências infrutíferas. 

Às vezes me acho tão apegado ao passado, que não consigo aceitar a ideia de que a vida é uma constante mudança, me lembro de uma brincadeira que uma professora da Quinta Série do ensino fundamental fez comigo (quando ainda aluno). Ela pediu para desenharmos um trem, e colocar nossos amigos, famílias, etc... dentro de um vagão. Assim que fizemos, ela suspirou e disse: Essa é a vida. É um trem. Algumas pessoas vão descer nas estações antes da sua, outras vão abandonar a viagem por medo, outras terão de fazer, e terão aquelas (como sua família) que estarão com você até o final. Existirá também aquelas árduas despedidas, como também existirá aquele adeus que vai te cortar pela garganta e que você terá de fazer. Queria eu com os meus onze anos de idade entender a vida como ela exatamente é pra não ter achado aquele exercício idiota quando me passado. 

Sou apegado aos detalhes. Me apego nos detalhes, e me desapego nos mesmos. Sou totalmente detalhista. E me lembro das coisas mínimas, aquelas que jamais ninguém lembraria, ou seria muito improvável que não. Dou comida ao meu peixinho, e me lembro de como eu enchia o meu quarto de animaizinhos para suprir a minha carência. Eram hamsters, tartarugas, peixes, calopsitas, tudo. Até mesmo o meu coelhinho. Eu sinto tanta falta disso. E me assusta me olhar no espelho agora, e me ver grande, ver que o garoto daquelas fotos ali não existe mais, ou existe e eu não sei onde foi parar. Ver que minha carinha de novo já era, e que aquele corte adolescente que me deixava com carinha fofa já não me cai mais bem. Aquele tênis skatista faz com que eu me pareça ridículo. E  aquele cinto é da época da minha avó. 

Nessa passagem me tranco ao meu quarto durante o final de semana inteiro. Não me importa o mundo lá fora, não me interessa o que está acontecendo naquela velha cidade, eu não me importo. Eu quero reviver todas aquelas coisas, eu quero poder me lembrar, quero poder voltar, quero poder ter tudo aquilo de novo. A inocência, meu pai, meus velhos amigos, aquelas festas, aqueles picnics no meio do mato com muita bebedeira. Quero ser Seventeen Again. É isso. Eu quero. 

Domingo, dez e meia da noite, horário de voltar para o Rio de Janeiro. Comprei o último horário, pois queria ficar até o último segundo no meu quarto. Uma alça da mochila no ombro, revisto com os olhos para ver se me esqueci de alguma coisa, confiro novamente, e sempre esqueço, mas nunca percebo. Minha mãe na porta com aquele olhar “Volta, meu filho” e eu com aquela cara de que “Eu preciso ir”. Olho tudo ao redor novamente, revivo as fotos, revivo os momentos, revivo as pessoas. Apago a luz, fecho a porta, e respiro fundo. Aceito a ideia de que passou. Tudo passou. É um vagão de trem. Repito em voz baixa. Algumas desceram nas estações anteriores. Outras permanecem comigo. Algumas eu precisei fazer descer. E eu, preciso chegar ao ponto final. 

Minha mãe me dá um beijo na testa, me abraça forte, e diz: "Quando chegar me liga!" Saio de casa, e me dói. Me dói não ter mais o abraço do meu Pai, mas me conforta saber que de alguma forma, se existe vida for daqui, saber que ele está olhando por mim agora. Entro no carro. Vejo minha casa se afastando pelo retrovisor. Saio daquele bairro relembrando minhas brincadeiras de crianças. Aceno pra velha senhora que me tem como "neto", e sigo meu caminho. "Eu quero ter você de volta. Lá em casa. Mas fica. Não vou falar mais nada. Não vou fazer você voltar. Meu filho, fica. Porque o mundo é seu!" Disse meu pai antes de falecer.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

'SCARLET' por André Sgalbieri

"Vou começar do começo, e por ser redundante não irei repetir! A capa... Impecável, esclarecida, e muito muito chamativa... Em alguns momentos que estive lendo no metrô, ou no ônibus a caminho do trabalho reparei que as pessoas torciam as faces, e viravam o pescoço para decifrar o título daquele púrpura em degradê com pink que eu folheava tão devotamente em mãos... Sim, o poder de Scarlet começa no começo, na capa, na apresentação, na primeira impressão, na que se apresenta e na que a gente cria dela ao desenrolar do livro.


Foi-se a primeira folha, depois a segunda, quando me dei conta não estava trabalhando, não estava querendo dormir antes de terminá-lo. Uma dica aos novos leitores de Scarlet: Comecem bem cedo, num domingo em que não tenham nada para fazer; pois certamente irão esquecer das obrigações e mergulhar neste universo triste e ousado, e a todo o momento cheio de intensidade e detalhes que prendem nossos motivos e olhos e atenção por estarem sempre coincidindo com o cotidiano do mundo, e sinceramente, até mesmo com o nosso próprio e pessoal particular.


O livro é um misto de magia e choque de realidade, tende a momentos de choro e outros de riso, e não cansa, não repete, é direto, sem perder detalhes! Não se trata de um clássico literário e sim de uma releitura de como contar, já que o linguajar e o tema abordado são extremamente atuais, nada melhor do que uma linguagem atual, uma postura atual e mentes atualizadas a fim de conceber bem o propósito desta leitura.
Agradeço a oportunidade de ler algo tão diferente, estava cansado dos finais felizes normais, nas mocinhas com os mocinhos normais, e da perspectiva igual. Cansei de ler livros que narravam personagens diferentes, em lugares diferentes, com início e meio e final iguais! Scarlet supera isso em vários âmbitos! Nunca soube bem ao certo onde é que a estória toda acontecera, ou no período temporal que isso ocorreu... é como uma permissão implícita de que eu pudesse ter vivido no mesmo tempo da estória, ou ela acontecendo no mesmo tempo em que eu vivo... E vice-versa.

Não fui o único a cair indefeso nas tramas de Scarlet, choquei-me ao encontrar mamãe ainda deitada quando cheguei do trabalho, com o pijama do dia anterior, com aquela expressão de ontem e apreensiva me pedindo que não a atrapalhasse... Só recebi meu beijo de boa noite depois que ela terminou de ler e vir criticar o “Eduardo” (personagem) e todas as suas façanhas... Obrigado por me causar uma noite sem comida e colo de mãe, caro autor!

Por isso tornou-se meu livro de cabeceira; primeiro porque o rosa contrasta super bem com a decoração sóbria do meu quarto... E segundo... Porque sempre que ler aquele nome, aquele título... Vou poder lembrar que a vida é uma eterna luta... Ora estamos na frente de batalha, guerreando e enfrentado tudo com a “cara” e os peitos abertos... Ora estaremos reclusos, observando... Apenas existindo... Não por escolha, mas por propósitos! Adoro saber que preconceito é cada vez mais algo que cai nos conceitos sociais... A diferença é que torna o feio feio e o belo belo, um precisa do outro, necessariamente, para existir. Cada um com seus caprichos, mas todos com verdadeira importância e individualidade."



André Sgalbieri, 19 anos, estudante, bloggeiro, e amigo, me surpreendeu com uma resenha do meu livro SCARLET que mereceu ser postada aqui.

 Conheci André pelas redes sociais, foi amizade a primeira vista, juntamos nossos dons com a escrita e tentamos criar um blog temático direcionado ao público gay no ano passado. Infelizmente, depois da equipe toda montada, o que faltou foi tempo para colocar o blog VIBE G. no ar.

Em seguida comecei a escrever SCARLET e todo o meu tempo vago que eu teria para postar as coisas no nosso "jornal" semanal seria preenchido. André, e eu, fomos nos tornando amigos de uma forma inesperada pela internet, nosso maior contato sempre foi/é através das tecnologias, uma vez ou outra o encontro em festas, onde dançamos juntos, rimos, e tudo mais. Mas o que mais me encantou nesse garoto, não foi seus olhos azuis, a barba bem feita, e a boca sensual (Embora é o principal, essencial, em um homem - ao meu ver) o que me encantou nele foi a forma como ele apareceu no lançamento do livro, tão doce, simpático, lindo como sempre, ele me fez assiná-lo acompanhado de uma marquinha de Batom. Pois é.

Sgalbieri, tem uma escrita doce, a qual desabafa em seu blog (http://guiis.blogspot.com.br/) assinando sempre Sonhardorzinho.

"Banco de couro, painel automático, teto solar, e o filho da puta ainda tinha olho azul"

Trecho do livro SCARLET que conquistou esse leitor assíduo que me deu este belo presente que vale a pena ser lido, relido, e tudo de novo.

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